A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 14/10/2020
O filósofo francês Sartre defende que cabe ao ser humano escolher seu modo de agir, visto que é livre e responsável. No entanto, observa-se a irresponsabilidade da sociedade no que se refere às intensas modificações em fotografias nas redes sociais com o intuito de agradar outros indivíduos. Esse cenário antagônico é fruto tanto da busca por inclusão social, especialmente entre pessoas mais jovens, quanto da má influencia midiática, a qual reforça padrões de beleza que o corpo social deseja atingir.
Em abordagem inicial, vê-se que na realidade contemporânea o desejo por aceitação e popularidade nas redes sociais faz com que muitos indivíduos utilizem de recursos secundários para manipularem suas fotos. Nesse sentido, ganha voz o pensamento do filósofo francês Jean Jacques Rousseau, o qual defendeu que o homem é produto do meio em que vive. Na esteira dessa ideia, nota-se que o fato da grande maioria dos usuários utilizarem aplicativos de aperfeiçoamento das fotografias faz com que tal ocorrência se torne quase regra pra obter sucesso nos meios digitais. Logo, é visível que a busca por inclusão social através de meios tecnológicos é um problema, pois fomenta a alienação dos que utilizam das redes e corrobora para piora da saúde mental dos indivíduos.
Além disso, os canais de televisão utilizam de estereótipos em suas propagandas, as quais limitam as pessoas quanto a aparência ideal. Segundo o sociólogo francês Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento da democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. De maneira análoga, nota-se que os veículos midiáticos ao invés de contribuírem para contestarem tipos de beleza e corpos ideias, corroboram para a manutenção de uma sociedade doentia, a qual busca enquadrar-se nos padrões sociais a qualquer custo. Assim, fica claro que a mídia funciona como uma impulsionadora da manipulação de imagens entre usuários nas redes sociais.
Infere-se, portanto, que urgem medidas efetivas que visem mitigar a utilização de recursos fotográficos de maneira prejudicial. A priori, compete ao Ministério das Comunicações, em parceria com a mídia, a criação de propagandas isentas de qualquer tipo de padrão social, por meio da reformulação de seus anúncios de maneira imparcial pelas empresas midiaticas, com o intuito de conscientizar uma sociedade acerca do conceito de beleza único e exclusivo de cada indivíduos, fazendo com que haja menos malefícios mentais decorrentes dos estereótipos sociais. Com essas ações, espera-se um cenário mais sociável nas redes, sem que haja prejuízo aos usuários.