A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 15/10/2020

“Não há nada de tão absurdo que o hábito não torne aceitável”. Essa afirmação do escritor filósofo romano Marco Túlio Cicero pode ser facilmente relacionada ao atual quadro de manipulação de imagens nas redes sociais, uma vez que o uso recorrente de filtros faciais tornou a prática banal e tende à normatividade. Tal realidade é fruto inegável dos moldes capitalistas que conduzem a saúde mental de forma indiferente, os quais visam apenas o lucro das empresas de procedimentos estéticos. Assim entre os fatores que contribuem para aprofundar esse quadro, pode-se destacar a padronização dos corpos e o a postura dos meios midiáticos que menospreza a problemática.

Em primeira análise, é importante reconhecer que a preocupação estética para se encaixar na normatividade, somado a mentalidade capitalista, agrava o manuseio das imagens no meio cibernético. Esse panorama é decorrente da indústria capitalista que fomenta a naturalização da busca pela “beleza ideal” através de procedimentos estéticos, e quando não há recursos monetários para tais, usam filtros que alteram a realidade para se adequarem ao perfeccionismo imposto pelo paradigma social. Tal enunciado está em paralelo com o pensamento do sociólogo Émilie Durkheim, que ao cunhar o termo “fato social’ demonstrou que os valores de um determinado grupo tornam aceitáveis comportamentos nocivos e, assim, explicavam a cristalização da manipulação de fotos ainda que seus impactos sejam obviamente prejudiciais e evidentes.

Além disso, é imperativo observar que a postura dos veículos de comunicação, aliado aos interesses do sistema econômico que visa apenas o lucro, solidifica a prática de alteração da imagem na internet. Essa situação acontece pois em sociedades notadamente capitalistas a função da mídia de massa não é a informação da população, mas a difusão de discursos ideológicos travestido de valores, tais como a ideia de que o uso recorrente de distorção de fotos não afeta a saúde mental. Esse pensamento encontra-se paralelo ao que afirmou o jornalista Caco Barcellos, para quem “ a culpa não é de quem não sabe, é de quem não informa”, uma vez que se a mídia não mostra os riscos, a vítima não terá embasamento para tal.

Diante do exposto, é importante perceber que os malefícios à saúde causada pela manipulação visual têm origem no avanço capitalista no tecido social. Portanto, para solucionar o Governo Federal, por meio de um decreto, crie um plano nacional de combate à manipulação de fotos. Esse programa teria como finalidade propor junto ao Congresso a criação de leis que alterassem os Parâmetros Curriculares Nacionais de ensino fundamental e médio, para incluir saúde mental na web no currículo das escolas, com o objetivo de dar habilidade ao jovem de compreender a problemática em torno desse fato.