A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 15/10/2020
O sociólogo Zygmunt Bauman definiu o período atual como a ‘‘Modernidade Líquida’’, na qual as relações sociais são marcadas pela fugacidade e impessoalidade. No que tange às redes sociais, este processo levou a uma comercialização de valores estéticos altamente volúveis, que, ao tentarem enquadrar as pessoas em padrões, criam muitos que não se encaixam nos mesmos e buscam manipular sua imagem nas redes para se enquadram em tais formatos, o que tende a uma homogeneização dos usuários. No entanto, a pressão para formatar-se em padrões inatingíveis causa o aumento de distúrbios mentais e alimentares, bem como a depressão, sendo, portanto, prejudicial à sociedade. Desse modo, faz-se necessário coibir a propagação de valores estéticos utópicos e a manipulação de imagens, a fim de garantir a saúde mental dos usuários de redes sociais.
A priori, a constante pressão nas redes para parecer perfeito implica a propagação de filtros que manipulam e uniformizam a imagem dos usuários, o que causa a padronização de apenas um espectro de beleza. Adolf Hitler, ditador alemão nazista, defendia o conceito de uma ‘‘raça ariana’’, que seria alta, forte e clara. Este perseguia os que divergiam deste padrão, alegando que eles eram responsáveis pela crise da Alemanha. Na contemporaneidade, a coerção das redes sociais atua de modo análogo, cerceando os que não se incluem nos moldes vigentes, o que leva a uma propagação das formas de manipulação da imagem, a fim de enquadrar-se. Dessa forma, é imprescindível que se abandone tal abordagem, a fim de garantir a inserção de todos na socialização e interação das redes.
Ademais, a divergência dos padrões estéticos leva à propagação de distúrbios mentais e alimentares, o que prejudica a saúde dos usuários. No livro ‘‘Extraordinário’’, Auggie, um garoto que nasceu com deformidades faciais, sofre exclusão e bullying de seus colegas na escola que frequenta. A hostilidade do ambiente provoca consequências psicológicas para ele, que não aceita sua aparência distinta. Fora da ficção, as redes sociais provocam a coerção de padrões aos indivíduos, que não atendem aos rótulos valorizados e, por isso, sofrem com transtornos de ansiedade e depressão, além da bulimia e anorexia. Portanto, é necessária a superação e o estímulo a autoaceitação, de modo a garantir a saúde mental da população.
Para solucionar tal problemática, urge que a mídia, valendo-se de seu amplo alcance e poder de convencimento, em parceria com influenciadores digitais, promova, por meio de campanhas de incentivo a valorização individual, que exaltem a beleza única de cada ser humano, a superação de padrões de beleza, de modo a gerar a aceitação da individualidade, garantindo, assim, uma sociedade mais saudável e, assim, propriamente bela.