A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 15/12/2020
Na ótica do filósofo Schopenhauer, o querer incessante faz o indivíduo sofrer. Analogamente a essa teoria, pode-se observar, na contemporaneidade, que o querer ininterrupto acerca da procura por uma imagem cada vez mais irreal e manipulada leva o indivíduo ao sofrimento físico e mental. Destarte, torna-se imperativo discutir sobre a questão da manipulação de imagem nas redes sociais, bem como os malefícios ocasionados na mentalidade individual e coletiva.
Nesse contexto, é cognoscível que, desde a Antiguidade Clássica, um ideal de imagem já era propagado perante a coletividade, em que os cidadãos eram manipulados para terem o corpo torneado e escultural como os deuses gregos tinham, em uma forma de devoção a uma influência social. Em consonância, o mesmo se observa hodiernamente, já que os veículos midiáticos, por meio dos “digital influencers”, por exemplo, ditam um padrão de imagem a ser seguido pela sociedade. Nessa perspectiva, redes sociais, como o “Instagram” e o “Snapchat” enaltecem, por meio de seus filtros, um culto ao ideal de beleza manipulado, o que instiga o aumento da procura por cirurgias plásticas. Sob a ótica midiática, tal concepção é inteligível a partir do documentário “O Dilema Social”, que elucida a ascendência da procura por cirurgias plásticas, em 2020, motivada pelo desejo coletivo de obter a aparência dos filtros das redes sociais.
Outrossim, é fulcral enaltecer o fato de que a manipulação da imagem pode ser considerada, na ótica do sociólogo Pierre Bourdieu, uma violência simbólica contra os indivíduos, posto que impacta de maneira direta o psicológico e a moral dessas pessoas. Desse modo, a saúde mental é prejudicada, visto que sentimentos de insuficiência, por não corresponder àquela imagem utópica e manipulada, aumentam, da mesma maneira que índices de depressão e suicídio, por não se encaixar no status quo cibernético, crescem.
Em suma, a manipulação da imagem nas redes sociais acarreta graves danos às esferas individual e social. Portanto, cabe às entidades responsáveis pelas redes, tais como: “Instagram”, “Snapchat” e “TikTok”, estipularem uma política de segurança eficaz que previna a criação de filtros, os quais tenham o propósito de mudar elementos faciais dos indivíduos, por exemplo. Dessa maneira, isso é feito por meio da criação de uma diretriz de segurança no aplicativo, a qual garante a proibição da divulgação de filtros que causam a deformidade do natural, a fim de corromper com a manipulação midiática acerca da imagem natural do indivíduo. Logo, o sofrimento gerado em detrimento do querer incessante, proposto por Schopenhauer, cessar-se-á perante a coletividade.