A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 16/10/2020

O jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano proferiu a seguinte sentença: “Vivemos em plena cultura de aparência”. Esta declaração comprova-se ao observar-se aplicativos presentes na internet e suas ferramentas, tais como os filtros. Estes são utilizados como meio das pessoas “transformarem” suas aparências insatisfatórias em estereótipos de corpo e rosto perfeito impostos pela mídia. Diante disso, surge a essência da ideia de manipulação de imagem nas redes sociais. Nesse sentido, faz-se relevante abordar as consequências mentais desse processo, além de explanar sobre como a influência virtual é ocorrida.

Nesse contexto, transfigura-se como essencial citar o filósofo da computação Jaron Lanier e sua obra literária “Dez argumentos para você deletar agora suas redes sociais”. Durante o livro, o autor manifesta como os algoritmos cibernéticos são usados para manipular as pessoas. Ele afirma que esse complexo jogo de “procedimentos” tem o intuito de modificar as formas de pensar e agir. Essa situação fica evidente ao analisar-se uma reportagem publicada na revista “Veja”, onde foi exposto uma pesquisa que relata um aumento de 30% nas cirurgias plásticas após a difusão dos recursos para simulações de renovações estéticas.

Ademais, é de extrema importância explorar Sigmund Freud e a Psicanálise. Freud explica que a manipulação psicológica é - na maioria das vezes – realizada no inconsciente dos indivíduos, ou seja, os cidadãos não percebem que estão sendo manipulados. E a verificação dessa concepção acontece perante a concretização de modelos corporais “celestiais” por intermédio das redes sociais. Logo, a padronização “corporal divina” acarreta em inúmeros malefícios psicológicos aos seres humanos, já que eles tentam incessantemente alcançar o retrato preestabelecido e, quando não conseguem, são vítimas de fortes depressões que podem resultar em suicídios.

Frente às discussões apresentadas, fica evidente a urgência em mudar-se a mentalidade das multidões para que possam aceitar a sua própria fisionomia e consigam ter uma elevada autoestima. Tal ocorrência será possível através de maiores atendimentos psiquiátricos para a nação, que podem ser ofertados pelos projetos sociais bancados pelo governo federal. Simultaneamente, é preciso que a própria população comece a ter personalidade, isto é, instaure a própria verdade, deixando – dessa maneira - de viver em uma cultura de aparência e inicie uma vivência num mundo de essência.