A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 16/10/2020
Em uma das cenas do documentário, " O dilema das redes", evidencia-se a figura de uma menina ,de 11 anos, que recorre, frequentemente, aos filtros de beleza do Instagram, como válvula de escape da baixa autoestima. Nesse contexto, é incoerente pontuar que esse comportamento corresponde a um fato isolado, posto que acomete grande parte dos usuários de amplas redes sociais, majoritariamente, do aplicativo supracitado, o qual dispõe de inúmeros mecanismos de ajuste facial. Destarte, o uso exacerbado do celular, bem como a imposição individual no auto desempenho das fotos publicadas constituem impasses para abrandar essa manipulação da imagem no meio virtual.
Em primeira análise, é imperioso salientar que, nos últimos anos , a nomofobia- estado psíquico de um indivíduo ,totalmente, dependente da utilização do aparelho celular- passou a ser considerada uma doença, segundo o Manual Diagnóstico Estatístico de Transtornos Mentais- DSM -V. Nessa concepção, a adoção dos filtros ,disponibilizados por aplicativos de interações sociais, vai ao encontro dessa dependência, quase que em massa do corpo social, uma vez que o contato frequente com o dispositivo e, por conseguinte, com as redes sociais, proporciona uma espetacularização, cada vez mais intensa, da imagem. Diante disso, a busca incessante por uma perfeição inatingível, exposta em todos os recursos tecnológicos do aparelho móvel, aflora imbroglíos na saúde mental e física da pessoa.
Ademais, salienta-se que o século hodierno, a medida que apresenta-se permeado pela participação massiva dos aplicativos interacionais, é marcado por uma auto cobrança em todas as áreas da vida e, principalmente, no que concerne à recorrente postagem de fotos contendo filtros, muitas vezes, insalubres ao pleno estado mental. Analogamente a isso, patenteia a visão filosófica do Byung -Chul Han, que apropria-se de uma metáfora, " Somos o escravo e o senhor", para comprovar que a vigilância , antes externa, passa a internalizar cada usuário da internet, posto que, por exemplo, há uma reflexão crítica do internauta ao postar sua imagem com medo da repercussão alheia.
Desprende, portanto, a insalubridade do uso exagerado de filtros faciais ,no meio online. Sob essa perspectiva , é imprescindível que os Ministérios da Ciência ,Tecnologia e Informação de cada país, em parcerias com ONGs especializadas e redes sociais, promovam regras e limitações na utilidade desses mecanismos de ajuste facial. Por sua vez, essas medidas deverão controlar e cercear a quantidade de publicações com filtros de cada usuário, de modo que os internautas procurem integrar a naturalidade nas fotos e assim amansar tanto a auto cobrança como a pressão externa no alcance da perfeição em cada postagem.