A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 17/10/2020
O politeísmo foi um aspecto marcante na cultura grega durante a antiguidade, tendo em vista que as civilizações acreditavam em vários deuses, os quais a partir de mitos como o de Narciso, propagavam o culto à beleza. Portanto, tal aspecto se perpetua na cultura ocidental moderna, já que a tecnologia tem propiciado a facilidade da manipulação de imagens nas redes sociais, o que de certa forma desencadeia diversos malefícios na saúde mental dos usuários da internet, pois há uma cobrança excessiva de perfis que atinjam uma perfeição, que na realidade é utópica . Dessa forma, é necessário prezar por medidas que fortaleçam a propagação de conteúdos construtivos intelectualmente e que favoreçam o bem-estar social.
Embora a globalização aproxime as pessoas por meio novas alternativas de comunicação, esse processo que ocorre de maneira fluida e com intensa flexibilidade, afeta negativamente as relações pessoais, o que pode estar relacionado com o conceito de “Modernidade Líquida” proposto pelo sociólogo Zygmunt Bauman, o qual afirma que os vínculos humanos tendem a se enfraquecer, devido ao retrocesso da solidariedade e do caráter empático social. Sendo assim, há de concluir que é necessário reverter tal anomia social da atualidade, pois as redes sociais são os canais que em grande parte geram altos graus de insegurança na sociedade contemporânea, já que muitas figuras públicas narcisistas e individualistas tem o foco de dissipar publicações que valorizam padrões estereotipados inatingíveis, justamente por serem produtos de manipulações feitas nas próprias redes, como é o caso dos filtros de “Snapchat”, que modificam a aparência real dos navegantes dessa rede.
Isso posto, vale destacar o episódio “Nosedive” do seriado televisivo “Black Mirror”, que traz consigo a distopia de que a política de “likes” do mundo digital serviria para determinar a posição social de diversos grupos de usuários, o que de certa maneira desumaniza os indivíduos de uma sociedade, os quais se submetem a qualquer alternativa egoísta para melhorar suas próprias imagens físicas, através da incessante e dolorosa busca pelo padrão de beleza desejado. Contudo, um artigo de opinião publicado na revista “The Atlantic”, afirma que a frequência exacerbada das pessoas em aplicativos está relacionada com o aumento das taxas de depressão e de ansiedade da população mundial.
Destarte, é dever das principais figuras públicas dos canais digitais dissipar conteúdos que promovam a melhoria da auto aceitação dos usuários das redes, tendo em vista que muitos desses sofrem com crises de baixa autoestima cotidianamente. Para que tal ação seja efetiva, é necessário que a sociedade se mobilize a partir criação de perfis com frases motivadoras e imagens que rompam com as noções estereotípicas, de modo a reduzir atitudes mórbidas e individualistas das pessoas.