A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 18/10/2020

Desde meados da década de 1970, com a popularização da televisão e outros meios de comunicação digital no Brasil, a indústria cultural tem ditado padrões de beleza e comportamento na sociedade. Seguindo essa tendência, atualmente, a manipulação das imagens nas redes sociais vem causado graves malefícios à saúde física e mental dos jovens. Isso se deve não só à inércia governamental como à irresponsabilidade da grande mídia digital.

Deve-se pontuar, de início, que os nocivos impactos da manipulação de autoimagens, principalmente  as que incluem filtros de cirurgia plástica, derivam da escassa atuação estatal na fiscalização dos ambientes virtuais. Segundo o filósofo contratualista John Locke, é dever do Estado garantir o direito à saúde e ao bem-estar social, entretanto isso não ocorre no Brasil. Desse modo, a ausência de censura etária e acompanhamento levam à inserção precoce do adolescente em um meio de extrema delimitação de padrões estéticos e preconceito velado. Com isso, elevam-se os casos de baixa-autoestima, isolamento social e depressão entre os jovens do país.

Ademais, faz-se mister ressaltar o descaso dos grandes gestores das redes sociais para com as implicações negativas dos filtros de imagens, como um causador da problemática. Nesse viés, o sociólogo francês Pierre Bordieu afirmou que “o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão.” Partindo desse pressuposto, percebe-se que há uma clara subversão da finalidade das redes, na medida em que deixam de integrar pessoas e passam a segregar, reforçar estereótipos e impor padrões estéticos aos usuários. Evidencia-se, portanto, a necessidade de reformular esse cenário de modo urgente.

Dessarte, medidas estratégicas devem ser adotadas a fim de mitigar os impactos da manipulação de imagens na internet. Para isso, necessita-se que o Poder Legislativo federal crie projetos de lei proibindo a utilização de ferramentas de efeitos em fotos, inclusive impondo multas às empresas que descumprirem a norma. Tal ação deve ser viabilizada por meio do aumento da fiscalização por parte das Delegacias especializadas em crimes virtuais, proporcionando, com isso, um ambiente virtual  seguro e saudável para os jovens brasileiros.