A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 18/10/2020

Congruente ao advento das Revoluções Industriais, o acelerado desenvolvimento da imprensa e da propaganda, juntamente ao surgimento da internet, proporcionaram uma rápida valorização das imagens divulgadas para a população por meio dos veículos de comunicação. Contudo, a constante determinação e reprodução de valores estéticos pela mídia e pela própria sociedade, através das redes sociais e do uso de filtros para embelezamento de fotos,  criou um padrão artificial elevado do que é considerado normal ou belo, de forma a instigar em uma grande parte das pessoas um complexo de inferioridade que, por vezes, atrela-se a problemas de saúde mental graves que podem até mesmo resultar em suicídio.

Na contemporaneidade, o desdobramento do capitalismo em suas diversas fases impulsionou o nascimento, segundo Adorno, da Indústria Cultural, a qual seria responsável por padronizar e vender as características da cultura para uma população. De tal forma, nesse cenário, ocorre associação de imagens como produtos de valor a serem comercializados, pelo uso, por exemplo, de celebridades e influenciadores digitais, os quais representam, majoritariamente, o padrão visual almejado e que raramente está isento de manipulação de suas aparências. Vale ainda ressaltar que a parcela feminina sofre mais com as desilusões imagéticas das redes, uma vez que essas são proporcionadas, também, pela vasta indústria de cosméticos e beleza destinadas a esse público.

Consequentemente, o aspecto da supervalorização das imagens adotado pelo modelo econômico atual, para Guy Debord, transforma nossa civilização em uma Sociedade do Espetáculo, na qual as figuras idealizadas pelas corporações atuam como mediadoras das relações sociais, de maneira a afetar não apenas economicamente a vida de um cidadão, mas inclusive socialmente, instaurando moldes de estética e vestimentas a serem seguidos por meio de um processo alienante. Nesse âmbito, a crescente discriminação e insatisfação pessoal pela incapacidade de um indivíduo apresentar-se de uma forma considerada aceitável social e visualmente, induz, diariamente, um estresse psicológico capaz de prejudicar a sua saúde e provocar doenças tal como a depressão.

Portanto, cabe ao Ministério da Educação promover políticas educacionais que visem desconstruir a ideia de perfeição imagética promovida pelas redes sociais e mídias através do aprimoramento do ensino a respeito da saúde mental nas escolas e da propaganda educacional. Isso deve ser feito mediante a adição de psicólogos às instituições escolares e a promoção nacional de notícias a respeito do assunto pelos meios de comunicação no intuito principal de evitar que os jovens, normalmente os mais afetados, sujeitem-se a malefícios a sua condição psicológica continuamente.