A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 24/10/2020
A distorção da percepção da imagem corporal, é um dos efeitos psíquicos mais preocupantes do uso das redes sociais. Através da livre exposição de imagens manipuladas digitalmente, a busca por resultados rápidos, de um padrão de beleza incompatível com a realidade humana, aumenta. Esse tipo de manipulação de imagem, teve início com a inserção de elementos surrealistas em filtros de aplicativos de redes sociais, até que tomou proporções gigantescas ao utilizar a manipulação digital para proporcionar ao usuário, a experiência de padrões algorítmicos de beleza, com variantes que poderiam imitar até mesmo um procedimento de cirurgia plástica. Essa necessidade de experimentar outras versões de nós mesmos, parece sofrer influência direta do tempo despendido nas redes e também da superestimação constante da nossa imagem corporal.
De acordo com o documentário intitulado O dilemas das redes, o tempo que passamos nas redes sociais, acaba impedindo o treinamento de habilidades como o pensamento à longo prazo e a resolução de problemas em situações reais. Isso ocorre pois, o cérebro humano, possui uma área chamada sistema límbico, responsável pela liberação de dopamina, um neurotransmissor relacionado diretamente com a sensação de prazer e bem estar, e que tem sua produção hiperestimulada com o reforço imediato, proporcionado pela interação nas redes. Um exemplo citado pelo documentário, é o maior uso de efeitos de distorção da imagem corporal, para a obtenção de curtidas, um recurso que demonstra a aprovação da imagem ou opinião de um usuário da plataforma por outros.
Além disso, sabe-se que a distorção da imagem corporal, está diretamente ligada a transtornos alimentares, e que assim como em qualquer outro problema de saúde mental, algumas pessoas podem apresentar comportamentos disfuncionais mais acentuados, nesse caso, pela busca da aceitação social. O comportamento de comparação e a superestimação da imagem corporal, gerados pela exposição nas redes sociais, tem forte impacto na autoestima, podendo causar sentimentos de inadequação e forte medo do julgamento alheio, compondo quadros de ansiedade ou depressão.
Sendo assim, políticas mais rígidas de fiscalização de filtros e informações sobre a alteração da imagem corporal, poderiam ser adotadas pelas plataformas de redes sociais. Além da disseminação de informações, pelo Ministério da Saúde, sobre o uso dessas redes e sua influência na saúde mental da população, a fim de mostrar seu forte impacto na distorção da autoimagem e na diminuição da autoestima. Essas medidas poderiam ocorrer através de matérias educativas em canais abertos de televisão e do trabalho informativo nas Unidades de Saúde da Família, refletindo positivamente, no tempo e modo de uso das redes sociais, diminuindo a incidência de problemas de saúde mental.