A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 20/10/2020

De  acordo com o filósofo grego Platão, em sua obra ‘‘A República’’, os indivíduos deveriam viver com sabedoria, o que contemplaria a necessidade de todos na sociedade. Contudo, na contemporaneidade, a dificuldade em lidar com a manipulação de imagens na redes sociais tem contrariado o raciocínio do antigo pensador, posto que atos imorais têm acometido a saúde mental de muitos cidadãos. Dito isso, a questão cultural e a ineficiência das medidas educativas são pontos que valem ser destacados no país.

Diante desse cenário, é válido ressaltar, inicialmente, que os problemas interligados à manipulação de imagens nas redes sociais refletem os costumes estabelecidos pela população em um certo período histórico. Sobre isso, o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, em seu livro ’’ Raízes do Brasil’’, relatou que os indivíduos se relacionam de acordo com uma cultura local. Nesse viés, a expansão dos aparelhos tecnológicos, sendo constatado desde o século passado, revolucionou as relações interpessoais e as posturas nas mídias digitais, o que tem contribuído para o surgimento de paradigmas excludentes que têm afetado o equilíbrio e bem-estar dos indivíduos com a próprio perfil. Essa situação é exemplificada com o conceito de beleza existente na sociedade, a qual é modulada pela mídia e possui um caráter de exclusividade que isola grande parte dos indivíduos dos seus parâmetros, o que colabora para o surgimento de bullying, depressão e até suicídios. Tal contexto denota, por conseguinte, um quadro de caos social que precisa ser combatido.

Além disso, a falta de medidas educativas justifica as patologias mentais associadas à manipulação das imagens nas redes sociais. Isso ocorre porque, conforme o escritor José Saramago, em sua obra ‘‘Ensaios Sobre a Cegueira’’, há uma ‘‘cegueira moral’’ na conduta das pessoas que impede a valorização de interesses benéficos à coletividade. Nessa ótica, a lei orçamentária de 2019, a qual minimiza a participação do Estado nas causas sociais, e a carência de salas de Informática nas escolas evidenciam estigmas que comprometem o investimento e o desenvolvimento de posturas críticas nos ambientes virtuais, o que gera alienações com a manipulação de imagens nesses meios. Não é de se estranhar, portanto, que a construção de imagens ‘‘fakes’’ seja um fato cada vez mais recorrente.

Desse modo, tal situação mostra-se como um empecilho que precisa ser minimizado. Assim, as Escolas devem realizar mostras científicas abertas para a sociedade, as quais tenham o objetivo, por meio de vídeos demonstrativos e teatros realizados por professores, de orientar os cidadãos sobre a importância da singularidade de cada perfil. Ademais, Estado, por meio de medidas socioeducativas, como leis e incentivos financeiros, deve tornar obrigatório a disciplina de Informática nas escolas , a qual possa incentivar o raciocínio crítico no público infantil e impedir alienações imagéticas na internet.