A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 21/10/2020

A padronização da beleza sempre foi latente na sociedade. Todavia, esse é um comportamento nocivo que deve ser repensado uma vez que nega aquilo que é a essência do belo, a saber, a diversidade. No tocante à manipulação de imagens nas redes sociais, o uso de filtros e corretores apenas corroboram, lamentavelmente, para a existência de uma mentalidade ultrapassada, segundo a qual, para ser aceito, curtido" e “compartilhado” deve-se primeiro encaixar-se em padrões vãos que apenas condenam indivíduos a um ciclo de insatisfações, frustrações e patologias mentais.

Diante dessa problemática, sabe-se que a autoaceitação se constitui um desafio para muitos indivíduos, principalmente quando há o predileção social por algumas características mais do que por outras. Consoante ao sociólogo Pierre Bourdieu, um “habitus” é tudo o que foi construído e consolidado pela sociedade e que rege atitudes e comportamento dela. Sob essa ótica, entende-se, pois, a manipulação de imagens como o reflexo de um habitus nocivo que uma vez consolidado, impede que pessoas reconheçam a sua real identidade como algo bom e obriga-lhes a vender uma imagem que não as representa, a fim de serem aceitas por outros indivíduos que, por sua vez, encontram-se escravizados pela mesma mentalidade doentia.

Ademais, segundo a OMS- Organização Mundial da Saúde- o estresse e a ansiedade patológica, são os principais transtornos mentais que acometem os indivíduos da sociedade moderna podendo evoluir para casos mais graves como a depressão. No que diz respeito às redes sociais, veículo onde todos são julgados a partir das imagens compartilhadas ,sabe-se que, se não houver cautela, elas se tornam um potente desencadeador de estresses, uma vez que é através delas que os indivíduos medem sua popularidade, caráter essência, bem como a validade de suas características físicas. Dessa forma, o simples - e normal- fato de ser diferente é erroneamente interpretado como " fora dos padrões" ocasionando assim, frustrações, as quais trazem consigo estresses, depressão e ansiedade.

Em síntese, uma vez que a manipulação de imagens é nociva a saúde mental posto que promove frustrações com a individualidade, é importante que o Ministério da Saúde promova palestras e discursões com a sociedade, alertando sobre os riscos mentais  de viver refém dos padrões tido como “belos”, pois, dessa forma,  o uso filtros, photoshops e corretores serão difundidos não como mecanismos que aprisionam, mas consciente de que, apesar deles, cada característica é única e deve ser respeitada. Evitando assim, que as patologias mentais continuem crescendo por motivos que podem e devem ser desconstruídos pela sociedade.