A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 23/10/2020

A internet - “commodity” para o desenvolvimento do Capitalismo Informacional - possibilitou o desenvolvimento das redes sociais, que são os meios virtuais mais acessados diariamente. Entretanto, o documentário americano “O dilema das redes” retrata os perigos que as mídias apresentam, tanto para a democracia quanto para o autonomia humanitária. Sendo assim, determinadas ferramentas infringem o bem estar social, no que tange a saúde emocional dos usuários, ao perpetuar padrões estéticos em virtude da busca de capital por parte das corporações empresariais.

Primeiramente, é necessário ressaltar que a busca pela “perfeição’’ sempre esteve presente no corpo social, entretanto, os filtros ampliaram a falsa sensação de alcançá-la. Inicialmente, esses mecanismos serviam para disfarçar leves imperfeições, contudo, hoje são utilizados para modificar o corpo em grandes proporções de tal modo que o usuário se sinta realizado e feliz com o que vê, mas o problema é a frustração quando o filtro acaba a a realidade começa. Nesse viés, de acordo a  Academia Americana de Cirurgia Facial, Plástica e Reconstrutiva, de 2013 para 2017 houve um aumento de 42% dos pacientes que buscaram o consultório médico para parecerem mais com suas “selfies”, através de procedimentos cirúrgicos. Dessa forma, devido esse cenário as pessoas optam por meios extremos para reproduzir a realidade do celular.

Ademais, esse panorama é causado pela busca incessante de lucros por partes da própria mídia social, aliada às corporações que usam esse meio para concretizar seus “e-comerces”. De acordo com o filósofo francês Jean François-Lyotard, a tecnologia do computador transformou a informação em algo que não é mais julgado mais pela verdade, mas sim pelo valor comercial. Assim, as empresas virtuais usam os filtros para que os clientes possam “usar’’ seus produtos e, portanto, vendê-los, mas ao modificar traços faciais elas não arcam com as frustrações do público alvo. Logo, as expectativas fracassadas provocam a sensação que o problema é com o corpo de quem usa, e não com a deturpação do real feita pelas empresas.

Destarte, para atenuar o empasse do aumento de casos de danos psicológicos dos usuários das redes sociais, cabe à Secretaria de Comunicação da República (SECOM) criar uma agência reguladora dos danos do conteúdo digital, por meio de um projeto de lei a ser entregue na Câmara dos Deputados, que fiscalize e puna empresas que utilizem de mecanismos não dignos para realizar suas vendas. Além disso, cabe aos meio virtuais a promoção de propagandas e conteúdos - feitos por profissionais - sobre auto estima e confiança, para que assim as pessoas possam usufruir dos filtros com a consciência de que ele não reproduz a realidade.