A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 22/10/2020
A letra da música “Sampa”, de Caetano Veloso, diz: “É que Narciso acha feio o que não é espelho”. Entretanto, a manipulação de imagens nas redes sociais fez o homem moderno achar belo apenas a sua imagem distorcida por filtros, gerando vários malefícios. Dentre eles, a grande quantidade de cirurgias plásticas na busca pela imagem perfeita em fotos e os danos psicológicos causados por falsos relatos de influenciadores digitais. Assim, faz-se urgente discutir sobre a problemática a fim de dirimir seu impacto.
Em primeiro plano, conforme a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), em 2018, foram realizadas 1 milhão de cirurgias plásticas no Brasil. Tal feito decorre da popularização de ferramentas que modificam a aparência nos mais diversos aspectos. Consequentemente, o usuário começa a renegar a própria imagem e recorre, constantemente, a procedimentos cirúrgicos, na busca do padrão de beleza. Todavia, a alteração de padrão é frenética, deixando-o sempre insatisfeito.
Em segunda análise, alguns influenciadores não passam uma verdadeira imagem aos seus seguidores e escondem procedimentos feitos. Como exemplo, pode-se citar a blogueira Bianca Andrade, que antes de descobrirem as cirurgias que havia feito, apareceu com a aparência modificada e atribuiu esse resultado a uma boa alimentação. Por consequência, alguns admiradores acabam se frustrando por se sentirem incapazes de obter as mesmas conquistas por meios naturais e desenvolvem problemas como baixa estima ou depressão.
Infere-se, portanto, a necessidade de reduzir os efeitos da manipulação de imagens nas redes sociais. Para que isso ocorra, é essencial que as plataformas responsáveis pela criação e aprovação de filtros excluam as ferramentas que distorçam o formato dos rostos dos usuários. Outrossim, instituições de ensino devem realizar, anualmente, palestras sobre os malefícios que esses aparatos causam e a importância de amar a própria imagem.