A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 03/11/2020

Na mitologia grega, Narciso era um jovem que superestimava a sua aparência, por conta disso tornou-se egoísta, assim, uma ninfa resolveu lhe dar um castigo e o amaldiçoou a morrer admirando o seu reflexo no lago. Análogo ao mito, hodiernamente, há narcisos nas redes sociais que chegam a manipular as suas imagens por causa da superestima. Entretanto, essa prática traz malefícios para a saúde mental, pois exalta padrões de beleza impostos socialmente. Dessa maneira, é imperiosa a análise de como a influência midiática e a alienação social implicam na problemática em questão.

A priori, é importante ressaltar que essa exposição exacerbada no mundo digital decorre do padrão imposto pela mídia, por isso a necessidade crescente de manipular as imagens para conseguir se ajustar a ele. Isso porque, conforme Jacques Derida, existem duas Identidades Binárias, a primeira é a norma, que é exigida e aceita na sociedade, porém a segunda é a desviante, aquela que não se enquadra. Em virtude disso, os sujeitos buscam formas de se inserir naquilo que é considerado como regra pela mídia nas redes sociais e, consequentemente, falseiam a realidade por meio de filtros e edições, já que não querem ser desviantes. Logo a exposição midiática que exalta padrões de beleza traz nocividade, visto que esse modelo proposto torna-se inalcançável, contribuindo para a baixa autoestima, por exemplo.

Ademais, é evidente que esse controle contribui para a alienação social, o que aumenta o individualismo e prejudica o ativismo para mudar tal controversa. Esse cenário é verificado na teoria da Sociedade do Espetáculo, de acordo com Guy Debord, uma vez que para ele, as relações sociais são mediadas pela imagem, o que implica na constante busca pelo poder espetacular e no desaparecimento de movimentos sociais, pois os indivíduos estão presos ao espetáculo. Por esse motivo, as pessoas se tornam egoístas e não conseguem se opor a essa circunstância ao ponto de não se importar com os sentimentos alheios. Dessa forma, há a ausência da empatia e da solidariedade, o que dificulta a inserção dos sujeitos considerados desviantes e facilita a disseminação de doenças psicológicas como a depressão.

Infere-se, portanto, que a manipulação da imagem nas redes sociais imposta pela mídia, causa a alienação social e os transtornos psicológicos. Em razão disso, o Governo deve promover campanhas informacionais por meio da contratação de influenciadores digitais, os quais podem debater sobre a temática e mostrar a realidade por detrás das edições digitais mediante vídeos e bate-papos virtuais com a finalidade de promover a formação do pensamento coletivo e mudar tal prerrogativa. Desse modo, busca-se a redução de narcisos no mundo moderno e o aumento de uma comunidade empática.