A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 23/10/2020

No episódio da série fictícia Black Mirror, “Queda livre”, a protagonista vive uma realidade onde tudo é baseado no julgamento da sociedade sobre as imagens das pessoas na internet. Porém, ao buscar refúgio através de uma personalidade alternativa, depara-se com rigoroso linchamento. O episódio tematiza o atual cenário em meio às redes sociais, as quais evidenciam quadros de prejuízo à saúde mental de seus usuários por fatores como a exposição de um padrão social perfeccionista aliado com modelos estéticos rígidos. Tal cultura fomenta a sensação de não-pertencimento ao grupo social, gerando, muitas vezes, problemas psicológicos como depressão e distúrbios alimentares.

Em primeira análise, sabe-se que há significativa negligência por parte das redes sociais no impacto da saúde mental das pessoas. Por exemplo, segundo um estudo da Universidade do Sul da Califórnia, o Instagram está muito relacionado com problemas de saúde mental, tais como ansiedade e depressão, em função do medo de exclusão social. Essa e outras plataformas digitais possuem filtros que aprimoram as imagens, de modo a buscar aspecto de aperfeiçoamento da aparência. Devido a tal impressão causada por essa distorção da realidade, os usuários têm a saúde mental afetada por não se encaixarem nos padrões.

Ademais, é visto que a superficialidade da idealização da vida nas redes sociais potencializa problemas reais. De acordo com dados do Hospital Santa Mônica, os jovens mais habituados à interação virtual tendem a desenvolver maior insegurança em relação à aparência física, principalmente sobre o próprio corpo. Essa questão torna-se ainda mais complexa devido à associação com distúrbios alimentares, como a bulimia e anorexia. Isso se dá devido aos usuários que, provocados pelo enfoque da propaganda de exterior aperfeiçoado, encontram-se mais suscetíveis a danos emocionais pela autoestima prejudicada.

Torna-se evidente, portanto, a necessidade de medidas para reduzir os impactos negativos na saúde mental dos usuários nas redes sociais. Para isso, cabe à mídia, em parceria com influenciadores digitais, promover campanhas sobre o uso consciente das plataformas digitais e suas ferramentas de distorção visual. Isso se daria por meio de comerciais e publicações com finalidade de desconstruir a ilusão de vida perfeita das propagandas. Também com esse intuito, compete ao Ministério da Tecnologia, em colaboração com psicólogos, elaborar palestras sobre como a aceitação do próprio corpo e a saúde mental estão muito relacionadas, principalmente no contexto das redes sociais. Dessa forma, será possível se afastar da realidade apresentada em Black Mirror e proporcionar um uso mais saudável desse meio digital para a sociedade.