A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 23/10/2020

Desde o advento da popularização das grandes mídias sociais, foi possível observar um significativo aumento de problemas mentais relacionados à falta de autoestima entre os respectivos internautas. Este fenômeno decorre em razão da facilidade de manipulação e divulgação de imagens pessoais que não correspondem a uma realidade concreta, e consumam a formação de um padrão de beleza imposto pela mídia. Logo, apesar das redes concederem um potencial de liberdade de expressão, tal fato destoa da realidade à medida que os usuários se limitam a realizarem publicações, por não se configurarem inseridos nos requisitos de uma espécie de ditadura estética inatingível.       Outrossim, na obra “Sociedade do Espetáculo” do filósofo Guy Debord, é explicitada a teoria de que os indivíduos vivem suas vidas como uma performance, na tentativa de expor o melhor show para os outros e aparentar perfeição. A teoria se demonstra verídica ao ser comparado com o conteúdo dos perfis pessoais dos usuários das redes sociais. Na busca de uma melhor exposição na internet, conforme os padrões, observam-se publicações completamente forjadas, a fim de eliminar supostas imperfeições estéticas, ou seja, uma gama de situações planejadas para desempenhar uma performance, o que torna as pessoas escravas dos existentes modelos.

Segundo uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), o mercado brasileiro é o 3º na lista de maiores mercados de beleza do mundo. Tal dado explicita a demanda brasileira por artigos que contribuam para que os cidadãos sintam-se satisfeitos consigo. Do contrário, os efeitos à saúde mental são extremamente nocivos, sendo eles a insegurança, baixa resiliência, baixa motivação, acomodação, inveja, falta de autocuidado e perda de oportunidades. Contudo, os padrões forjados são tão irreais e absurdos, que alguns indivíduos alienam-se e tornam-se reféns eternamente insatisfeitos com eles mesmos.

Destarte, torna-se imprescindível a adoção de medidas que solidifiquem políticas de combate à baixa autoestima, em razão do poder oculto das mídias sociais no controle do comportamento de usuários. Logo, o Ministério da Saúde deve, por meio de verbas públicas, investir em tratamentos psicológicos e psiquiátricos à população, de maneira com que garanta a acessibilidade à serviços cada vez mais básicos. Visto que o ser humano está em constante mudança, as inovações tecnológicas, embora incumbidas de melhores condições de vida do homem, podem realizar o efeito contrário, caso mal utilizadas. Com o fenômeno da Sociedade de Espetáculo cada vez mais presente, e a consequente maior procura por instrumentos padronizadores de beleza, compreende-se o quão fundamental é o investimento nessa área da saúde, para assim, preservar o bem-estar geral da população.