A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 27/10/2020
O uso das redes sociais poderia ser pensado como o exercício de uma liberdade. Contudo, esse comportamento tem apresentado anomalias prejudiciais à saúde, à economia e ao relacionamento das famílias. Por isso, o tema tem despertado a atenção de especialistas em saúde e da sociedade, ensejando reflexão e adoção de medidas para proteção contra os efeitos nocivos que podem acometer os usuários das redes.
Segundo declaração de um dos responsáveis por uma conhecida plataforma de rede social, a lógica de funcionamento explora uma vulnerabilidade psicológica humana. A intenção é prender a atenção dos usuários, o maior tempo possível, através da ativação de um mecanismo de recompensa baseado na liberação de dopaminas. Tal mecanismo, entretanto, pode viciar e causar o uso descontrolado das redes.
Paralelamente, as redes sociais têm se mostrado como uma verdadeira arena, onde ocorre uma intensa disputa por cliques, visualizações e curtidas, aquecidas por eventuais contrapartidas financeiras. Essa disputa, em muitos casos, motiva a ostentação material e a apresentação de imagens desconectadas da realidade, algo facilitado por ferramentas de edição que alteram a fisionomia e a aparência para o que seriam padrões ideais. Como resultado, cada vez mais usuários têm apresentado distúrbios ligados à baixa auto-estima e depressão, alguns graves ao ponto de provocar o suicídio, por se sentirem inferiorizados diante de perfis manipulados para chamar a atenção.
Assim, a sanha por prender a atenção desconstrói a idéia de liberdade em participar das redes sociais. À despeito dos benefícios que trazem, os males ensejam a adoção de medidas de proteção. Pais e educadores devem conscientizar os jovens sobre os perigos embutidos nas redes. Quando possível, a exposição das crianças às redes deve ser evitada ou preterida. Nas escolas, deve ser priorizada a interação por outros meios. Por fim, os Governos, por meio dos sistemas saúde e comunicação, devem promover campanhas que sustentem o cuidado com essas tecnologias.