A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 27/10/2020

Ao longo de décadas a boneca Barbie é considerada um símbolo de estilo e beleza, influenciando inúmeros padrões estéticos. Dessa forma, a sociedade atual sofre desse mesmo processo, agora nas redes sociais, baseando-se na manipulação das imagens, tendo como consequência impactos os malefícios à saúde mental, o fenômeno de neuroplastia e a teoria social do espetáculo.

Em primeiro plano, pode-se perceber como impasse à consolidação de uma solução a neuroplasia. Segundo essa teoria, da psicologia, a exposição à um tipo físico torna-o ideal e passa a ser considerado belo aos olhos da sociedade. Destarte, a constante veiculação de fotos editadas causa na população essa neuroplasticidade, interferindo na própria aceitação, pois, ao ver repetidamente as mesmas características, alteradas, elas se tornam desejáveis, porém inalcançáveis, por serem falsas, causando consequências psicológicas, a exemplo dos 38% de jovens que são usuários dessas tecnologias e desenvolvem depressão relacionada a auto estima, de acordo com a Universidade de São Paulo. Nesse sentido, a busca por esses padrões compromete o bem-estar social.

Ademais, a consequente teoria do espetáculo é um fator determinante para a persistência do problema. No livro “Sociedade do Espetáculo” de Guy Debord, é apresentada uma realidade em que todos os indivíduos realizam performances, exibindo uns aos outros a melhor versão de suas vidas e aparências. Sob essa ótica, o autor se comprova assertivo quando se observa a atualidade e os altos padrões estabelecidos no mundo digital, porque, trata-se de uma disputa entre as ilusões criadas por cada um, em que aquele que utilizar o melhor filtro ou edição se destaca, sem necessariamente demonstrar a realidade. Nessa perspetiva, é gerada uma competição impossível, na qual os limites ultrapassam o real e invadem o campo do idealizado.

Portanto, é necessário que o Ministério da Saúde e o da Educação ajam em parceria e criem eventos e palestras, além de ampliar preexistentes, por meio de uma divulgação nas redes sociais e nas instituições públicas para aumentar o conhecimento a respeito do tema, em que será possível entender a importância da cultura da análise crítica às redes sociais com o apoio de psicólogos voluntários. Feito isso, será possível ampliar as possibilidades destinadas aos brasileiros e criar uma nova estrutura de saúde mental, para, assim, evitar a manipulação digital e verdadeiramente promover benefícios aos cidadãos.