A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 26/10/2020
Em um episódio da série “Black Mirror”, da Netflix, são retratadas aos telespectadores um aplicativo de relacionamentos em que são avaliadas as características físicas dos usuários.Fora da ficção, o que foi descrito na obra relaciona-se com um problema da atual conjuntura brasileira, em que a sociedade, de modo geral, tem a tendência a ignorá-lo: os impactos na saúde mental advindos da manipulação de imagens em redes socias. Desse modo, urge a necessidade de analisar como a negligência estatal e âmbito social fomentam a problemática.
Primeiramente, há de constatar o descumprimento de artigos constitucionais. Sob esse viés, a Constituição Federal de 1988, garante acesso a um ambiente que visa o bem-estar social de todos. Entretanto, constata-se que, no Brasil, há uma carência de incentivos públicos que objetivam o desenvolvimento emocional das pessoas, uma vez que a manipulação de fotos em redes sociais pode ocasionar em uma imagem virtual diferente da real e afetar psicologicamente o usuário. Contudo, o site UOL revelou que o uso de filtros em redes sociais está adquirindo fama a cada dia. Nesse sentido, a ausência de incentivos públicos implica no recrudescimento de tal obstáculo.
Além disso, vale ressaltar o meio social como agente agravante da calamidade. Outrossim, de acordo com Heidegger, filósofo alemão, o homem se constrói na medida de suas interações. Analogamente, as pessoas ao conviverem em uma rede social em que vários usuários estão embelezando seus próprios retratos, podem sofrer influência e também utilizar tal ferramenta e, por consequência, obter sua autoestima prejudicada. Todavia, a empresa responsável pela aprovação de filtros, Tech Tudo, exibiu que apenas em agosto de 2019 que eles começaram a restringir o uso de tais ferramentas abusadoras de aparências. Desse modo, confirma-se que o meio social provoca mais impactos relacionados à manipulação de imagens.
Diante do que foi exposto, medidas fazem-se relevantes para mitigar tal vertente. Portanto, cabe ao Ministério da educação, juntamente às mídias e dentro das escolas, instituir projetos como o “Visualize além das imagens”, responsável por educar e preparar socialmente os estudantes e suas famílias sobre o problema em questão. Isso deve ser realizado por meio de trocas de experiências em workshops administrados por professores e influenciadores digitais, a fim de expor, debater e combater as consequências dos impactos causados pela manipulação de imagens. Assim, será possível distanciar-se-á do hediondo cenário apresentado pela Netflix.