A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 26/10/2020
A relação entre estética, internet e saúde mental no século XXI
“Toda ação era uma reação”. Esse pressuposto, a Terceira Lei de Newton, pode ser associada aos impactos que as redes sociais originaram perante a sociedade, especialmente acerca da saúde mental dos indivíduos. Afinal, esse mecanismo modificou a forma como o ser humano se apresenta para o coletivo e para ele próprio, acarretando diversos dilemas.
Primeiramente, ao se tratar da influência das mídias digitais no cotidiano, é notável que esses veículos estimulam a constante autovalidação dos usuários. Por meio da manipulação da imagem e consequente exposição de algo que difere da realidade, institui-se um ciclo vicioso com o objetivo de alcançar um ideal de perfeição inatingível, visto que o retrato de uma rotina impecável nas redes é uma maneira característica de ser aceito em meio às relações sociais efêmeras e superficiais contemporâneas. Esse fato é exemplificado no documentário “Dilema das Redes”, concluindo que esse efeito tem repercussões danosas na autoestima de todos, principalmente a dos jovens.
Ademais, a busca pela perfeição no mundo digital também implica em outras questões. Por conta do sistema capitalista vigente, a imagem representa simultaneamente o “ser” e o “ter”, sendo objetificada como produto. A capitalização de fotos e símbolos na esfera cibernética cria uma atmosfera de cobrança para atingir metas sociais, estéticas e econômicas. Isso pode causar quadros de ansiedade e depressão, uma vez que, segundo a teoria da Sociedade do Consumo de Zygmunt Bauman, o ser ao virar mercadoria perde sua subjetividade, tendo predisposição para o isolamento e a insensibilidade, condições que facilitam a manifestação dessas patologias.
Considerando o exposto, infere-se que o fator coercitivo das mídias fragilizam a mentalidade humana.Logo, é necessário que instituições educacionais, como escolas e universidades, desenvolvam programas de atendimento psicológico aos jovens centrados no combate aos malefícios cibernéticos, com o intuito de sanar as problemáticas relativas a autoestima desse grupo tão suscetível à subversão da internet. Conjuntamente, o Estado, responsável pelo bem-estar social, deve ampliar o alcance de informações sobre enfermidades psíquicas e suas ações potencializadas pelas redes sociais , através de propagandas, a fim de alertar a população e, assim, minimizar as vítimas dessas doenças.