A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 03/11/2020

A dupla sertaneja Henrique e Juliano na canção “É fake”, descrevem o espanto ao conhecerem uma mulher pessoalmente afirmando que a imagem dela nas redes sociais é distorcida da realidade. Semelhantemente a canção da dupla, na sociedade atual, a manipulação de imagem se tornou bem difundida entre os adeptos das redes sociais. Nesse sentido, entra em discussão os malefícios à saúde mental que essa prática causa, seja através da busca dos usuários pela perfeição, ou ainda, por meio da baixa autoestima gerada nos usuários.

É indubitável, nesse contexto, que a questão da busca pela perfeição esteja entre as causas do problema. Segundo o pensador Leafar, a tristeza é a pura inocência de quem insiste em ser perfeito. Nessa linha de pensamento, o destino das pessoas que buscam a perfeição é a infelicidade, na qual está diretamente ligada a tentativa de seguir os padrões estéticos impostos pela sociedade. Quem almeja a perfeição doa uma grande parte do seu tempo e de sua energia para isso, sendo assim uma rotina desgastante e tóxica para o indivíduo. Desse modo, a saúde mental é cada vez mais deteriorada, crescendo dessa forma a infelicidade, que é a grande causa de sérios problemas psicológicos, por consequência termina por dificultar a resolução do problema.

Outro ponto relevante nessa temática é a questão da baixa autoestima gerada nos usuários. Segundo o jornalista brasileiro Carlos Heitor, a internet é poluidora, não no sentido ecológico, mas sim espiritual. Sob essa lógica, é possível dizer que a manipulação de imagem na internet é uma prática que gera baixa autoestima, visto que os internautas veem em suas linhas do tempo inúmeras fotos manipuladas. Essas imagens apresentam pessoas com o corpo e pele perfeita, exibindo o famoso padrão estético imposto pela sociedade, por consequência o amor próprio de quem vê aquele conteúdo é fortemente afetado. Acontece que uma grande parcela não se encaixa nesse ideal estético que é mostrado nas fotos, isso faz com que o psicológico da pessoa fique abalado, como também dificulta a erradicação desse problema.

É evidente, portanto, que tais entraves precisam ser solucionados. O Ministério da saúde, em conjunto com o Conselho Federal de Psicologia, deve criar campanhas para a autoaceitação e desconstrução de padrões estéticos, por meio de palestras em escolas e universidades. Tais palestras serão ministradas por profissionais da área de psicologia, os quais falarão abertamente sobre os malefícios que imagens manipuladas causam para a saúde mental. Além disso, essas palestras não devem se limitar apenas as instituições, mas transmitidas e compartilhadas nas mídias sociais para a comunidade. Espera-se que dessa forma, a internet deixe de ser um ambiente tóxico para os usuários.