A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 31/10/2020

Dom Pedro I teve seu retrato pintado por Simplício de Sá. Aquele deveria transmitir ao ambiente em que estivesse, admiração de poder e soberania. Era, afinal, a imagem de uma autoridade. No século atual, a história muda de plano, passando de telas enquadradas para de celulares e computadores, nas redes sociais.  Entretanto, a exacerbada preocupação com a imagem pública tem, já comprovada pela ciência, graves consequências psicológicas e físicas para a vitima.

Em uma pesquisa realizada pela Dove, marca de produto de higiene pessoal, constatou-se que quatro em dez mulheres usuárias de redes sociais usam  photoshop para alterar nas fotos a estética. É pertinente afirmar que o fato atinge também homens. A mudança é meramente digital, o que revela a preocupação com aprovação e os famosos ‘’likes’’. Essa é apenas a ponta do iceberg. Conforme a revista Exame, o Instagram possui algorítmo que eleva o alcance de retratos com um padrão de beleza específico e de mulheres usando traje de banho em 60%. Isso leva o civil a visualizar um grande número de postagens em mesmo modelo, acarretando à concepção de um senso estético engessado e, em suma, ao transtorno de imagem.

Desse modo, está correto a frase do documentário O Dilema das Redes, da Netflix: ‘‘As mídias sociais começam a influenciar cada vez mais profundamente e assumir o controle da autoestima e do senso de identidade.’’  O que se vê é uma sociedade que mede beleza em número de curtidas. Seres humanos dependentes de aceitação, de pessoas muitas vezes desconhecidas. Cada vez mais cresce o número de suicídios, bullying, depressão e distúrbios alimentares como anorexia em decorrência da imposição de normas de perfeição das pessoas das redes sociais que visam somente o lucro do mercado de cosméticos e photoshop. Há ainda a superexposição dos jovens na captura de imagens para os meios de comunicação.

Então, é essencial que o Mininstério da Justiça estabeleça novas regras para empresas como o Instagram, Facebook e Snapchat, para que as imagens circulem de modo igualitário, sem favorecimento estético desnecessário, respeitando assim a diversidade humana e beleza individual. Ao Ministério da Educação é interessante o investimento em políticas públicas de restauração e prevenção das questões citadas por meio de comerciais e campanhas de autoestima, também com acompanhamento psicológico,