A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 28/10/2020
Em um episódio da série “Black Mirror”, da Netflix, são retratadas aos telespectadores um aplicativo de relacionamentos em que são avaliadas as características físicas dos usuários .Fora da ficção, o que foi descrito na obra relaciona-se com um problema da atual conjuntura brasileira, em que a sociedade, de modo geral, tem a tendência a ignorá-lo: o impacto na saúde mental advindo da manipulação de imagens em redes socias. Desse modo, urge a necessidade de atentar-se como a insipiência estatal e a escolaridade irregular fomentam a problemática.
Primeiramente, há de constatar a displicência governamental. Nesse sentido, a Constituição Federal de 1988, garante acesso a um ambiente que visa o bem-estar social de todos. Entretanto, ao analisar a carência de políticas públicas em torno dos danos psicológicos ocasionados por manipulações de imagens, é indiscutível que essa premissa constitucional não é valorizada pelo governo nacional. Contudo, o site UOL revelou que o uso de filtros em redes sociais está adquirindo fama a cada dia, o que pode levar a mais danos emocionais nos cidadãos. Nesse sentido, a ausência de incentivos estatais prejudica na superação de tal impasse.
Ademais, vale ressaltar que a lacuna educacional corrobora esse cenário. Além disso, de acordo com Heidegger, filósofo alemão, o homem se constrói na medida de suas interações. Analogamente, as pessoas ao não desenvolverem um senso crítico na escola, podem acabar por sucumbirem a uma modalidade negativa que ficou famosa entre os jovens, como a harmonização facial, o que pode embelezar as pessoas e as deixarem desconfortáveis com suas imagens reais. Todavia, a empresa responsável pela aprovação de filtros, Tech Tudo, exibiu que apenas em agosto de 2019 que eles começaram a restringir o uso de filtros abusadores de aparências. Desse modo, confirma-se que o meio social agrava a manipulação de imagens e seus respectivos impactos.
Diante do que foi exposto, medidas fazem-se relevantes para mitigar tal vertente. Portanto, cabe ao Ministério da educação, juntamente às mídias e dentro das escolas, instituir projetos como o “Visualize além das imagens”, responsável por educar e preparar socialmente os estudantes e suas famílias sobre o problema em questão. Isso deve ser realizado por meio de trocas de experiências em workshops administrados por professores e influenciadores digitais, a fim de expor, debater e combater as consequências dos impactos causados pela manipulação de imagens. Assim, será possível distanciar-se-á do hediondo cenário apresentado pela Netflix.