A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 28/10/2020
Historicamente, o período renascentista foi marcado pelo antropocentrismo e teve como um de seus principais expoentes Leonardo da Vinci, sendo “O Homem Vitruviano” uma de suas obras, a qual apresenta a figura masculina em proporções consideradas ideais. Concomitante ao passado, na sociedade hodierna, a busca pela perfeição, ainda, faz-se vigente, principalmente, nas redes sociais, em que a manipulação das imagens está presente seja por meio de filtros no Instagram ou, até mesmo, pela realização de procedimentos estéticos. Todavia, é necessário analisar essa idealização da perfeição e as possíveis consequências à saúde mental.
É indubitável que, de acordo com Guy Debord, atualmente, o ser humano vive em uma sociedade do espetáculo, em que há o controle midiático por meio de imagens. Consoante a essa ideia o Instagram pode ser considerado o principal exemplo de manipulação de imagens nas redes sociais, visto que através de seus filtros idealizam uma beleza inexistente e considerada ideal, pois esses são criados, justamente, para remover certas imperfeições e, até mesmo, para modelar certas partes do rosto. Desse modo, é imprescindível que ao se utilizar um filtro, por exemplo, o indivíduo conscientize-se sobre as modificações decorrentes, a fim de não afetar sua autoestima, pois um uso constante pode trazer, além da dependência, problemas negativos com si próprio, como a baixa autoestima.
Outrossim, uma das principais consequências dessa sociedade do espetáculo é a busca pela correção de imperfeições, o que leva o Brasil à categoria de país que mais realiza cirurgias plásticas no mundo, segundo a Pesquisa da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica e Estética. Esse fato, por sua vez, pode estar, diretamente, relacionado à influência dessas imagens no indivíduo, que, na busca pelo corpo perfeito, sujeitam-se a realização de procedimentos. Todavia, essa constante busca pela aparência perfeita pode trazer problemas relacionados à aceitação própria, podendo, inclusive, acarretar em crises existenciais e depressão.
Entende-se, portanto, que é notória a manipulação de imagens nas redes sociais e os consequentes prejuízos à saúde mental do indivíduo. Assim, faz-se necessário que o Ministério das Comunicações atrelado a parcerias público-privadas realize uma campanha, por meio das principais mídias sociais, a fim de alertar sobre os riscos que os usuários possuem ao se envolverem com as imagens das redes sociais. Desse modo, a presença de influenciadores digitais seria imprescindível para desconstruir a ideia que a sociedade do espetáculo propaga, mostrando, por exemplo, as imperfeições por trás dessas redes. Somente assim, a busca da perfeição, já propagada pelo “Homem Vitruviano”, será, aos poucos, substituída pela valorização daquilo que é real e sem filtros.