A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 03/11/2020
Uma pesquisa feita pela Academia Americana de Cirurgia Plástica e Reconstrutiva Facial (AAFPRS) em 2017 mostrou que 55% dos cirurgiões relataram ter visto pacientes que queriam alterar sua aparência para melhorar suas fotos. Com isso, nota-se o quão acentuada é a problemática do uso das redes sociais e como isso pode trazer graves consequências a saúde mental dos usuários. Dessa forma, convém discorrer sobre os fatores que acentuam a problemática, tal como o uso excessivo de redes sociais, padronização e a má divulgação nas redes.
Em primeira instância, a persistência de um patamar de beleza social divulgado massivamente impulsiona o problema. Nessa perspectiva, o livro “Sociedade do Espetáculo” elaborado pelo escritor Guy Debord, pontua a mediação das relações interpessoais por imagens. Dessa maneira, os usuários são afetados psicologicamente por se sentirem pressionados a alcançar uma aparência aceitável e amplamente disseminada como correta. Desse modo, há a prática do autoabandono e a ocorrência de doenças como ansiedade e depressão. Em um artigo de opinião publicado na revista The Atlantic, Twenge afirmou que o uso exagerado de internet e redes sociais pode ter relação direta com o aumento exponencial de ansiedade e depressão – de acordo com a ONU, elas incidem em 3,6% e 4,4% da população mundial, respectivamente.
Em segunda instância, vale ressaltar a bulimia, anorexia e vigorexia, que se tratam de doenças diretamente relacionadas a insatisfação com o próprio corpo, levando a vítima a ficar completamente paranoica a ponto de contar as gramas de tudo que come ou até mesmo induzir o vômito de tudo que come. Sob essa ótica, o clipe “pretty hurts”, a qual sua tradução significa “beleza dói”, da Beyoncé mostra a vida de modelos que são fortemente impactadas pelos padrões. Na música, a cantora ressalta, “a perfeição é a doença da nação”. Ademais, há também a divulgação de produtos para melhorar a estética do público, de modo a incentivar seu consumo desenfreado por drogas que prometem encaixar o internauta nas diretrizes de beleza cibernética. Por conseguinte, há a dependência do cidadão e o surgimento de efeitos colaterais reversos.
Portanto, são necessárias medidas que atenuem a situação. Logo, compete ao Ministério da Saúde, em conjunto com as plataformas virtuais, promover a divulgação de um material gratuito e instrutivo, sobre a preservação do bem-estar nas redes sociais e a positividade das diferenças no âmbito nacional, por meio de páginas públicas, com disponibilização de psicólogos e psicoterapeutas para um acompanhamento adequado. Isso deve ser feito com o objetivo de fortificar a saúde da nação para um país íntegro.