A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 02/11/2020

Ao fazer uma análise da sociedade, busca-se descobrir as origens e consequências da manipulação das imagens nas redes sociais. De acordo com Carl Jung, psiquiatra fundador da psicologia analítica, “todos nós nascemos originais e morremos cópias”. Logo, por meio desse panorama, a utilização de “filtros” em fotografias é compreendida como consequência dos padrões de beleza impostos pela sociedade na tentativa de uniformizar a população. Por sua vez, o indivíduo ao buscar aceitação do corpo social no qual se encontra inserido introduz “filtros” que distorcem sua verdadeira imagem. Portanto, a utilização de recursos visuais que modificam a aparência é uma problemática capaz de causar doenças psicológicas aos usuários e a marginalização de traços físicos pertencentes a  determinadas etnias.

Ao examinar o passado histórico brasileiro, verifica-se a presença da  “política clareadora” .Essa medida era responsável por incentivar a migração europeia no intuito de modificar e tornar a população brasileira compatível aos padrões europeus de supremacia branca. Analogamente a tese de branqueamento da raça brasileira aceita entre 1889 e 1914, os filtros utilizados nas mídias sociais reforçam padrões de beleza europeus e negligenciam as demais etnias. Logo, percebe-se a manipulação da imagem tendenciosa a um padrão que ressalta traços brancos, fomentando a  insatisfação de grupos étnicos miscigenados com a própria aparência.

Outra preocupação constante é em relação aos malefícios à saúde mental que podem ser adquiridos ao manipular sua própria imagem. Conforme a pesquisa realizada pela “The Guide Association,” cerca de um terço das mulheres jovens não publicam fotos sem antes usar um filtro que modifique a aparência, e  39% afirmaram que se sentiam infelizes por diferirem das imagens virtuais. Nesse hiato, é possível perceber que a adulteração exacerbada dos aspectos físicos podem desencadear depressão, complexo de inferioridade, transtorno de ansiedade generalizada, anorexia, bulimia e até fobia social aos usuários das mídias sociais que utilizam esse recurso.

Dessarte, é necessário que medidas sejam tomadas para coibir a problemática no corpo social. No intuito de promover a diversidade, as plataformas de mídia em parceria com o Ministério da Tecnologia, Inovação e Ciência tem o  dever de desenvolver e divulgar filtros que valorizem os aspectos físicos das diversas etnias vigentes. Ademais, é necessário, por meio da parceria entre as Prefeituras e os Conselhos Regionais de Psicologia, a realização de palestras em locais públicos no fito de alertar aos cidadãos sobre os possíveis malefícios à saúde mental, causados aos usuários desses recursos. Posto isso, será possível garantir a singularidade do indivíduo, como proposto por Carl Jung.