A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 30/10/2020

O conceito de manipulação de imagens não é algo recente, como a análise das representações artísticas de D. Pedro II podem comprovar, pois as imagens do rei conhecidas pela população foram propositalmente alteradas para ilustrarem um governante mais velho, responsável e maduro do que o sucessor do trono realmente era. Contudo, tal episódio ainda se repete a cada segundo nos tempos hodiernos, devido ao avanço das redes sociais e das tecnologias de correção de imagens, aparatos que inserem seus usuários em uma realidade deturpada. Diante do cenário de busca por likes, as patologias psicológicas, como depressão e ansiedade, crescem exponencialmente, fato que alerta os especialistas sobre os riscos da exposição aos aparelhos. Logo, há de se entender a correlação entre o avanço da tecnologia e as anormalidades psicossomáticas, afim de combater o mal do século XXI.

Em primeiro lugar, para compreender as motivações externas que induzem os indivíduos a alterarem suas características nas telas, a filosofia de Foucault torna-se importante, pois em seu trabalho A História da Loucura, esse afirma que a loucura é delineada pela sociedade. Em analogia à atualidade, a beleza é padronizada pelo conjunto social e, na incessante busca por aprovação, e por medo da constante vigilância de terceiros as nossas ações, surge a necessidade de se encaixar no que é considerado correto. Desse modo, as redes sociais estimulam a perda de identidade e autoestima das gerações integrantes a ela.

Em coerência com o exposto, o massivo desenvolvimento tecnológico nas últimas décadas foi proporcionalmente acompanhado pelo aumento dos diagnósticos depressivos e ansiosos no mundo, segundo dados da OMS, os quais também apontam o Brasil como líder de casos de ansiedade da população. Outrossim, os casos de suicídio, de acordo com o Ministério de Saúde, constituem a terceira causa de óbitos por fatores externos mais recorrente, o que evidencia a urgência de foco no combate dessa problemática que tornou-se um obstáculo para a saúde pública.

Diante dos pontos supracitados, cabe à instituição familiar regular e instruir o uso das redes desde a infância até a adolescência, período mais vulnerável para o desenvolvimento de anormalidades como a ansiedade e a depressão, a fim de preveni-las. Não menos importante, cabe ao Governo o papel de mediador do bem-estar público, ao investir em atendimento psicológico adequado e eficiente, em parceria com o Ministério da Saúde, e promover campanhas informativas a respeito dos malefícios das plataformas virtuais para a população, com o intuito de reverter os índices alarmantes das patologias abordadas. Somente a partir da informação e do suporte correto aos brasileiros, tornar-se-ia possível lutar contra as consequências da manipulação virtual da realidade.