A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 03/11/2020

No filme “Rede de Ódio”, é retratado a intensa manipulação dos fatos no meio virtual, onde uma agência é especializada em propagar o ódio, destruir reputações, compartilhar notícias irreais e criar imagens “perfeitas” a fim de influenciar drasticamente as pessoas. Nesse sentido, assim como no filme, as redes sociais têm se tornado um grande meio de distorção da realidade, onde muitos usuários desenvolvem sérios problemas de autoestima e têm a saúde mental afetada. Outro malefício ainda presente, é a imagem corporal projetada por influenciadores digitais, que estabelecem padrões a serem seguidos, conflito que gera uma infinita comparação baseada na aparência.

Em primeiro lugar, de acordo com uma pesquisa realizada pela Royal Society for Public Health (instituição de saúde pública no Reino Unido), as taxas de depressão e ansiedade entre jovens usuários da internet entre 14 à 24 anos, aumentaram 70% nos últimos 25 anos. Isso comprova que as plataformas digitais têm um grande impacto sobre o comportamento humano, pelo fato do abusivo compartilhamento do cotidiano desses influencers nas mídias, sem contar o uso excessivo de adolescentes nas redes sociais. Assim, os mesmos almejam as vidas divulgadas diariamente, de festas sempre animadas, viagens caras, restaurantes chiques e entre outros luxos, algo que desperta inveja e gera um sofrimento psicológico.

Outrossim, deve-se prestar atenção nas fotos, principalmente corporais, compartilhadas na internet. Tais redes, em sua maioria, possuem diversos filtros, efeitos ou até mesmo photoshop, que aprimoram imagens com facilidade, fazendo com que muita das vezes, as pessoas procurem se encaixar em um padrão de beleza que não condiz com a realidade. Mentalmente afetados, há o aumento na procura por tratamentos e cirurgias estéticas, como relata o estudo feito pela Academia Americana de cirurgia Facial, Plástica e Reconstrutiva, onde mais de 55% dos cirurgiões plásticos fizeram procedimentos em pacientes somente para parecerem melhor nas fotos, em 2017.

Portanto, faz-se necessário soluções para mitigar essa situação, cabe à mídia em parceria com influenciadores digitais promover campanhas sobre o uso saudável dos aplicativos por meio de comerciais que possam mostrar a diferença entre o que são publicações e a realidade. Também seria de extrema importância a criação de programas nas plataformas online, que possam sinalizar de uma maneira clara, quando as fotos são ou não alteradas digitalmente de sua naturalidade. Somente dessa forma, as pessoas se aceitariam melhor e enxergariam que padrões são apenas estereótipos impostos pela sociedade, pois como diz o poeta Hideraldo Montenegro, “a internet é uma solidão dividida e uma fantasia compartilhada”.