A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 09/11/2020
Em um episódio da aclamada série britânica “Black Mirror”, a protagonista Lacie Pound, uma garota obcecada por ser reconhecida nas redes sociais, vive em mundo onde pessoas podem avaliar outras a partir de imagens de perfis do ciberespaço. Fora da ficção, é visível que a realidade exposta na trama se assemelha com o atual panorama mundial, haja vista que os meios de comunicação, sobretudo no século XXI, corroboram para a superexposição de uma camada populacional à um padrão de beleza irreal. Assim, seja pela ação da mídia sobre os internautas, seja pelo impacto negativo na saúde mental, é imprescindível a dissolução dessa conjuntura.
Sob um primeiro viés, é lícito postular a intensa atuação do espaço virtual no cotidiano. Segundo a ISAPS (Internacional Society Of Aesthetic Plastic Surgery), o Brasil se tornou o país que mais realiza cirurgias plásticas no mundo. Nessa perspectiva, é evidente a crescente busca por modificações na aparência. Dessa forma, com a banalização em massa do uso de procedimentos estéticos e práticas de emagrecimento sem auxílio de nutricionistas, o usuário tende a recorrer à esses métodos para se enquadrar aos parâmetros sociais e de beleza ilusórios que, majoritariamente, são propagados por algoritmos estrategicamente manipulados pela indústria.
Outrossim, é mister salientar os danos ocasionados na saúde mental. Em sua obra “1984”, o célebre escritor e jornalista George Orwell critica o forte poder de influência do mundo cibernético na sociedade. Nesse âmbito, é notório que as redes digitais, principalmente o Instagram e o Snapchat, por estabelecerem foco na imagem, com a disseminação de fotografias manipuladas, geram sentimentos de inadequação e infelicidade que, consequentemente, estão interligadas a distúrbios de sono, aumentos de casos de dismorfia corporal, transtornos alimentares, ansiedade, depressão e suicídio. Logo, urge medidas para reverter esse cenário.
Destarte, é inegável que a modificação da imagem no mundo cibernético configura um grave impasse. Para tanto, os veículos midiáticos devem, por meio de jornais, rádios, revistas, programas televisivos, séries e documentários, alavancar debates acerca de como ocorre a manipulação das imagens e a autoaceitação, com o fito de democratizar e ensinar aos internautas sobre a atual problemática e, com isso, gerar menos desgastes mentais. Ademais, cabe ao Governo Federal, em parceria com o Ministério da Saúde, com a utilização de verbas públicas, criar estratégias que ofereçam melhores serviços de psicologia e psiquiatria gratuitas, com a finalidade de garantir um tratamento de qualidade para os que possuam algum tipo de doença de ordem psíquica. Desse modo, espera-se que tenha uma melhor qualidade de vida e diminuição da taxa de procedimentos estéticos no país.