A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 08/11/2020

O termo “catfish” é utilizado na sociedade estadunidense para se referir a pessoas que, em seus perfis nas plataformas digitais, manipulam suas fotos de maneira a tornarem sua imagem totalmente desvinculada de sua forma real. Infelizmente, essa alteração e tentativa de buscar apresentar algo inexistente vêm se transformando em um fenômeno cada vez mais abrangente, com a utilização de filtros em selfies e aplicativos de edição de fotos, fatores que levaram a um aumento de cirurgias plásticas, e também a insatisfações crescentes com a aparência, que resultam em problemas de auto-estima, depressão, anorexia e bulimia.

Esses filtros, criados pelas redes sociais como Snapchat e Instagram, possuem efeitos de harmonização facial e homogeneização da pele, que quando ligados, tornam seu usuário mais confiante, porém, assim que desligados, estabelecem uma quebra de expectativa, e portanto, uma dependência à seu uso para se obter uma autoimagem positiva. O fato de vivermos em um período, segundo Bauman, “líquido”, onde o superficial reina, potencializa essa dinâmica de dependência pois o “ser” perde valor, em detrimento da valorização do que se expõe na internet, seja verdadeiro ou não.

Consequentemente, com o crescimento de “influencers” que carregam em suas postagens aquilo que a sociedade de consumo vê como o padrão de beleza, a grande massa já insatisfeita se apega ao desejo de procedimentos estéticos como veículo de obtenção do que enxergam como sua versão melhorada, uma vez que essas admiradas influencers, em sua maioria, já tiveram em seu passado imagens muito diferentes. Com isso, a procura por mudanças, ultrapassou à busca pela autoaceitação, pela construção de um bom relacionamento consigo mesmo e proliferou as doenças mentais ligadas a aparência, principalmente entre os jovens, o grupo que utiliza mais as plataformas.

Conclui-se que campanhas acerca da conscientização da população sobre os malefícios da manipulação da imagem devem ser promovidas, preferencialmente nas escolas, atingindo a juventude, e nas plataformas digitais, encabeçadas pelo Ministério da Educação e o da Saúde, com adesão de figuras reconhecidas pela militância quanto à autoaceitação, que tornariam as campanhas mais próximas de seu público alvo ao retratarem pessoas que enfrentaram ou enfrentam as mesmas dificuldades. Desse modo, outras formas e belezas ganhariam representatividade senão a padronizada, estimulando a diversidade, para que o ato de se ver bonita exija, um dia, apenas de um espelho.