A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 02/11/2020
Recentemente o conceito de “Dismorfia do Snapchat” foi incluído no cotidiano de inúmeras pessoas. Tal nome caracteriza uma série de procedimentos cirúrgicos estéticos, os quais estão sendo realizados por grande parte da população, que busca a aproximação entre os rostos reais e os rostos fantasiosos, estes proporcionados pelo aplicativo “Snapchat”. Sob essa lógica, atualmente, no Brasil, a manipulação de imagem proporcionada pelas redes sociais tem como causa o lucro de grandes empresas e, consequentemente, intensifica os malefícios na saúde mental de quem é induzido a essas alterações, como o surgimento de transtornos mentais. Logo, é necessário que todas as camadas sociais ajudem a mitigar o grave problema.
Em primeiro lugar, é notável que as grandes empresas obtém lucro a partir da visão de ódio que as pessoas adquirem sobre os próprios corpos. A fins de exemplificar, tem-se dados da Isaps -Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética- divulgados em 2018 que comprovou a liderança do Brasil como o país que mais realiza cirurgias plástica no mundo, acoplado a isso diversos setores brasileiros de fotografia alteram digitalmente fotos de famosos e artistas, a fim de enaltecer um determinado estereótipo. Em síntese, a manipulação de imagem por grandes empresas ,somada a insegurança proporcionada pelas redes sociais, desperta a necessidade dos brasileiros de submeterem-se a procedimentos cirúrgicos.
Por conseguinte, devido à pressão estética, a saúde mental dessas pessoas é alterada. Ainda nesse sentido, a Associação Brasileira de Psiquiatria reuniu dados comprovando que 20% dos pacientes, que passaram por cirurgias plásticas, apresentavam tratamento psiquiátrico em andamento. Nessa perspectiva, é imprescindível analisar como a utilização indevida de determinadas fotos influencia, inconscientemente, a saúde mental da sociedade. Em vista de que, como afirmam as estatísticas, a insatisfação com o corpo antecede o problema psicológico, sendo assim necessária reversibilidade desse cenário.
Portanto, é dever da mídia social, em especial as redes sociais de grande alcance, tais como Instagram e Facebook, por intermédio do algoritmo e da programação dos softwares desses aplicativos, barrar o conteúdo que vise reforçar estereótipos por meio da indução de procedimentos cirúrgicos, com a finalidade de mitigar as diversas fotos manipuladas digitalmente e, por consequência, ajudar na manutenção da saúde mental da sociedade brasileira. Dessa maneira, conceitos como a “Dismorfia do Snapchat” serão extintos e as empresas poderão lucrar com o desejo de auto aceitação sobre o corpo ao invés da negação sobre ele.