A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 03/11/2020

“Nosedive”, episódio da série britânica “Black Mirror”, apresenta uma realidade distópica na qual a vida de cada cidadão é determinada por meio de sua pontuação individual obtida através do seu alcance nas redes sociais e, consequentemente, retrata a construção de uma sociedade perfeccionista e obcecada por atingir padrões semelhantes aos representados virtualmente. Sendo a arte uma mera representação da realidade, fica evidente a presença de aspectos representados na obra no contexto social hodierno, sendo um reflexo disso a busca por validação, a qual está intrinsicamente relacionada com a era informacional.

Primordialmente, faz-se imprescindível compreender a globalização como principal agente influenciador do revés. Nesse sentido, cabe parafrasear Stephen Hawking, um dos criadores da “Apple”, o qual afirmava que a tecnologia move o mundo. Contudo, apesar de propiciar incontáveis vantagens ao ser humano, a evolução tecnológica permitiu a formação gradual de uma sociedade altamente baseada em fotos e perfis virtuais para a construção de uma identidade individual, fazendo com que os indivíduos manipulem suas imagens até atingir um determinado padrão considerado válido e, consequentemente, influenciando-os a construir uma sentimento de desprezo pelo real.

Em segundo plano, vale ressaltar que além do sentimento de desprezo pelo real, há a construção de um desejo de aperfeiçoamento, o qual é aprimorado por filtros e aplicativos capazes de manipular a imagem. Nesse viés, essas ferramentas de manipulação servem como instrumentos utilizados para estimular a busca por procedimentos estéticos que alterem a aparência, gerando, desse modo, lucro para empresas capitalistas. Acerca disso, é pertinente destacar, também, que tal desejo de aperfeiçoamento muitas vezes leva o indivíduo a um quadro obsessivo, acarretando até mesmo em distúrbios e compulsões alimentares, apresentando graves ameaças para a saúde mundial.

Em síntese, fica claro a urgência de tomada de medidas capazes de reverter a problemática vigente, a qual deve ser dissolvida conjuntamente pelo poder legislativo e institutos midiáticos. O primeiro, visando uma diminuição da comparação entre o virtual e real, deve criar uma legislação específica em relação aos filtros de procedimento estético, fazendo com que haja punição por meio de multas em empresas que utilizarem determinados filtros. Analogamente a isso, os institutos midiáticos devem realizar a produção de conteúdos culturais que abordem a temática, visando, desse modo, a conscientização geral. Nesse sentido, com a tomada de tais medidas a saúde mental será prevalecida e a obsessão pelo perfeccionismo ficará restrita a séries televisivas, como “Black Mirror”.