A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 14/11/2020

Além de escrever uma filosofia nomeada Modernidade Líquida, a qual apresenta reflexões a respeito das relações superficiais que acarretaram o individualismo das pessoas na sociedade, Zygmunt Bauman fez diversas críticas às redes sociais. De acordo com o filósofo, “As redes sociais são muito úteis, oferecem serviços muito prazerosos, mas são uma armadilha”. Atualmente, no Brasil e no mundo, recursos presentes nessas redes, como a manipulação de imagem cujo objetivo é a melhora estética facial ou corporal, ocasionaram diversos malefícios à saúde mental da população, como a ansiedade e a depressão.

Primeiramente, a ansiedade é uma consequência do uso indevido dos meios digitais. Em aplicativos como o Instagram, filtros que manipulam a estética facial e produzem resultados semelhantes a cirurgias plásticas, são utilizados por diversos usuários. A empresa dona do aplicativo diz, de acordo com o site Techtudo, se preocupar com os impactos dos filtros causados na autoestima das pessoas. A preocupação excessiva com a beleza exterior provoca insegurança, medo e baixa autoestima em usuários de redes sociais que se espelham e baseiam em efeitos artificiais, levando-os, assim, a distúrbios mentais como a ansiedade.

Ademais, a depressão é outro fator resultante da manipulação de imagem nos meios digitais. Por não alcançarem, no mundo real, o padrão visual que desejam ao visualizarem imagens modificadas, parte da sociedade torna-se frustrada. Segundo Bauman, a onipresença da cultura narcisista de massa é uma consequência da Modernidade Líquida, em que o movimento individualista volveu o foco das pessoas, em parte, na conquista do padrão estético requerido individualmente. Pessoas tornaram-se frustradas e efetivamente tristes com a busca pelo ideal do belo baseando-se em filtros tecnológicos e, consequentemente, atingindo sérios riscos mentais como a depressão.

Portanto, medidas devem ser tomadas para que haja melhora na saúde mental da população que utiliza a manipulação de imagem. O governo poderia iniciar campanhas de conscientização em massa, promovendo cuidados que devem ser ressaltados com o uso de redes sociais, como o bom proveito dos filtros, sendo estes para diversão e não mudança na versão exterior de cada pessoa, gerando bem-estar e não frustração. Essas campanhas seriam televisionadas e transmitidas em canais governamentais, além de meios digitais e palestras em instituições públicas. Tudo isso por meio de verbas públicas e contribuições de instituições privadas. Desta forma, espera-se que a saúde mental de cada indivíduo seja preservada, fazendo bom uso das estruturas digitais, tornando-as úteis com seus serviços prazerosos, e não armadilhas, como explicitado por Bauman ao jornal El País.