A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 10/11/2020

O “Filtro” da Humanidade

Consoante ao físico alemão Albert Einstein “Tornou-se chocantemente obvio que a nossa tecnologia excedeu nossa humanidade”. Essa afirmação promove, de certa forma, uma comparação entre passado e futuro, em que muitos indivíduos falsificam a verdade por meio da manipulação da aparência nas redes sociais, em busca de aceitação e notoriedade na sociedade hodierna, com consequentes malefícios a saúde mental.

Nesse contexto, vale pontuar a princípio que as redes sociais são meios de distração para muitos cidadãos. Entretanto, a tecnologia passou a sufocar a rotina de muitas pessoas, e a edição de imagem se tornou compromisso diário de muitos brasileiros. Nesse viés, o sociólogo Pierre Bordieu, por meio do conceito de “Habitus”, defende que o modo de comportamento do indivíduo é socialmente construído.      Dessa maneira, a obrigação do uso de mídias digitais, como também a alteração de imagem, criam no individuo uma expectativa  equivocada sobre sua própria vida e a de outro ser humano. Diante dessa premissa, uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de São Paulo, confirma que 82% da população jovem se preocupa com o que acontece nas mídias sociais quando estão ausentes, o que acarreta crises de ansiedade e depressão.

Da mesma forma, as alterações de imagens e a falsa sensação de uma vida pessoal proveitosa desencadeiam um desejo iminente de atenção no indivíduo. Parafraseando o sociólogo polonês Zygmunt Bauman “Na era da informação, a invisibilidade é equivalente a morte”. Por conseguinte, tanto esforço para aceitação na contemporaneidade tecnológica, quando não correspondido, produz diretamente insegurança e desemparo, criando um ciclo vicioso de maiores ações de mudança na arcaica maneira de agir na era moderna.

Portanto, infere-se a necessidade de discutir sobre a manipulação de imagens e seus malefícios à saúde mental. Para isso, cabe ao governo, na figura do Ministério da Educação aliado ao Ministério das Comunicações, ministrar palestras interativas em escolas e universidades para alertar sobre os riscos diretos das redes sociais na mente humana, com o auxílio de psicólogos e profissionais especializados em tecnologia. Outrossim, o Ministério das Comunicações deve inserir mensagens de alertas em aplicativos de edição de fotos sobre o seu uso exacerbado. Assim, será possível que a sejamos mais humanos e menos tecnológicos.