A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 11/12/2020

Na União Soviética, a manipulação de imagens foi uma prática política muito utilizada para alterar como os fatos apareceriam para a população e também para atingir os inimigos políticos do regime, o que mostra como essa ação pode ser perigosa. Esse panorama dialoga com a realidade presente, visto que existem várias modificações imagéticas nas redes sociais, o que promove vários malefícios à saúde mental dos indivíduos. Nesse sentido, é importante discutir os aspectos da manipulações, que são principalmente estéticas e também com o intuito de prejudicar usuários, para desenvolver soluções eficientes.

A princípio, é notável que há uma manipulação exacerbada da aparência em vários sites de relacionamento coletivo. Isso é preocupante, visto que cria parâmetros físicos inalcançáveis para os indivíduos, como uma pele perfeita ou formatos simétricos de membros. Essas alterações vão ao encontro das ideias do escritor Guy Debord , em seu livro Sociedade do Espetáculo, dado que  mostram que os usuários das redes sociais possuem apenas o desejo de serem relevantes, mesmo que isso influencie negativamente outras pessoas. Nesse sentido, a busca impossível pela perfeição, pela comparação, por exemplo, com influenciadores digitais, leva a um sentimento de inadequação com as próprias características físicas, o que gera insegurança, ansiedade e depressão.

Outrossim, é importante analisar que a manipulação de imagens também pode ser utilizada com o intuito próprio de afetar negativamente os indivíduos. Tal fato é impulsionado pelo anonimato que redes como Instagram e Twitter trazem, o que facilita que usuários criem montagens para denegrir alguém. Isso é confirmado ao tomar como exemplo sites que tornam pessoas nuas em retratos, e que tem gerado danos psicológicos, uma vez que não há como certificar que as imagens são falsas. Essa realidade se enquadra às ideias da filósofa Hannah Arendt sobre a Banalidade do Mal, posto que a criação de simulacros  causam danos, porém aqueles que os criam não questionam em que nível isso pode prejudicar terceiros, conjuntura que permite a continuidade dos malefícios psicológicos.

Portanto, é importante que os prejuizos causados pela modificação imagética sejam algo restrito ao passado, como o da União Soviética, para que haja segurança ao utililzar portais de relacionamento coletivo. Para isso, cabe ao Governo Federal impedir a continuidade de crimes que envolvam a divulgação de fotos e vídeos falsos, por meio do investimentos na polícia técnico-científica, capaz de rastrear os criminosos pela internet e impedir que mais conteúdos falsos sejam disseminados, a fim de evitar que vítimas tenham problemas de saúde mental. Ademais, é papel das redes socias monitorar o uso de filtros e modificações estéticas, com o intuito de evitar a criação de parâmetros físicos falsos.