A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 09/11/2020

O episódio “Nosedive”, da série televisiva “Black Mirror”, apresenta a história de Lacie. Esta a qual era incessantemente julgada por uma sociedade altamente criteriosa e ao buscar refúgio através de uma personalidade alternativa, depara-se com um mundo e vidas ideais não condizentes com sua realidade. Fora da ficção, no Brasil, evidencia-se um cenário semelhante principalmente quando relacionado à saúde mental, pelo fato que a exposição perfeccionista da rotina dos internautas aliada com a rigidez dos padrões sociais estéticos, criam uma sensação de não pertencimento ao grupo social, gerando, muitas vezes, problemas psicológicos como a depressão.

Em primeiro lugar, o influente poder social é base para entender como a padronização social é relacionada à saúde mental. Desta forma, na visão do sociólogo Émile Durkheim, é por meio do “fato social” em que se fundamenta as relações entre indivíduo e coletivo determinadas pela coercitividade, generalidade e exterioridade. Nessa perspectiva, os internautas são limitados a seguirem as tendências propostas pela sociedade, pois se não as cumprirem, serão considerados anômicos e então, excluídos dos grupos sociais. Ademais, essa incessante busca por um ideal inexistente em função as demasiadas críticas na realidade, faz com que essas pessoas recorram aos filtros proporcionados pelo ilusório mundo virtual.

Por conseguinte, a frustração de não alcançar a perfeição, aumenta o número de indivíduos com a saúde mental afetada. Segundo uma pesquisa realizada pela Royal Society for Public Health - instituição de saúde pública do Reino Unido -, as taxas de depressão e ansiedade entre jovens usuários de redes sociais de 14 à 24 anos, aumentaram 70% nos últimos 25 anos. Isso mostra que, assim como na série “Black Mirror”, o julgamento social tem uma forte influência sobre o comportamento das pessoas.

Depreende-se, portanto, a necessidade de prevenir a saúde mental da sociedade. Diante disso, cabe ao Ministério da Tecnologia elaborar uma campanha com o intuito de mostrar a realidade do mundo digital, publicada por meio das mídias sociais dos Estados brasileiros e reforçadas pelas instituições de ensino através de palestras, reuniões e debates com profissionais da área, como psicólogos, afim de reestruturar os princípios extremamente críticos e padronizados do fato social. Somente assim, pessoas como a Lacie poderão desfrutar de uma virtualidade que atenda aos anseios humanos e contribua para uma mentalidade saudável frente a uma realidade distante de ser ideal.