A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 13/11/2020

No modelo de produção vigente a partir da segunda metade do século XX, destaca-se a publicidade que tem como objetivo convencer o consumidor da necessidade de determinado produto. No que diz respeito ao nicho de cosméticos e estética, essa necessidade é suscitada através da imposição de padrões, através da manipulação de imagens em revistas, sites, e disponíveis para usuários de aplicativos. Nos últimos anos vem sendo identificado um impacto significativo na saúde mental de pessoas- em sua maioria jovens e do gênero feminino- que consomem este conteúdo.

Em primeiro lugar é necessário compreender a razão por trás da existência de tais filtros nestes aplicativos. No documentário “O Dilema das redes”, exibido pela plataforma de “streamings” Netflix, ex funcionários de empresas de tecnologia elucidam como os algoritmos funcionam para fazer com que o usuário passe cada vez mais tempo nos aplicativos, e gere lucro para o desenvolvedor. Nesse sentido, com o objetivo de reter a atenção determinado público, aplicativos geram filtros de imagem que apagam o que consideram imperfeições e modificam traços, reforçando padrões estéticos. Tais padrões exemplificam a indústria cultural que, segundo Theodor Adorno, filósofo da Escola de Frankfurt, é uma ferramenta do capitalismo que imbui gostos e hábitos em uma sociedade por interesses mercadológicos.

Em segundo lugar, se faz necessária a análise da grande disseminação destes padrões - por parte de empresas, sobretudo de cosméticos e clínicas de estéticas -, em anúncios regulares e publicidade feita por digitais “influencers”, que sugerem o cosmético ou procedimento da vez . Essa gama de informações pretende influenciar e fazer se sentir excluído, aquele que não se encaixa no padrão vigente, impactando na saúde mental deste. A OMS aponta um aumento de 5 a 10% de depressão na faixa etária de 15 a 29 anos na última década e um crescente aumento de TDC (Transtorno de Dismorfia Corporal) entre 2016 e 2018, e mantendo-se o contexto em que essas doenças surgem, não há previsão de melhora deste cenário.

Desta forma, é possível indicar o caráter urgente de uma intervenção neste ciclo de reforço de padrões estéticos. Se faz necessária uma campanha de conscientização por parte do Ministério Público, por meio de “outdoors” e anúncios em televisão, internet e outros meios de mídia, com conteúdo sobre distúrbios de imagens e alertas sobre os perigos inerentes à manipulação de imagens, bem como, o desenvolvimento de regulamento específico por parte dos agentes públicos, relacionado à obrigação por parte de empresas, de informar ao seu público sobre a manipulação de imagens veiculadas por estas, a fim de mitigar o impacto destas manipulações na saúde mental dos usuários.