A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 05/11/2020
O episódio “Nosedive” , da série televisiva “Black Mirror”, apresenta a história de Lacie. Esta a qual era incessantemente julgada por uma sociedade altamente criteriosa e ao buscar refúgio através de uma personalidade alternativa, depara-se com um mundo e vidas ideais não condizentes com sua realidade. Fora da ficção, no Brasil, evidencia-se um cenário semelhante principalmente quando relacionado à saúde mental, onde a sociedade sofre com a pressão exercida pelos padrões sociais estéticos, essa rigidez cria uma sensação de não pertencimento ao grupo social e desencadeia problemas psicológicos.
Em primeiro lugar, o influente poder social é base para entender como a padronização social é relacionada à saúde mental. Desta forma, na visão do sociólogo Émile Durkheim, é por meio do “fato social” em que se fundamenta as relações entre indivíduo e coletivo determinadas pela coercitividade, generalidade e exterioridade. Nessa perspectiva, os internautas são limitados a seguirem as tendências propostas pela sociedade, pois se não as cumprirem, serão considerados anômicos e consequentemente excluídos dos grupos sociais. Ademais, essa incessante busca por um ideal inexistente em função as demasiadas críticas na realidade, faz com que recorram as táticas proporcionadas pelo ilusório mundo virtual onde subordina, assim, as pessoas a um desgaste emocional desnecessário.
Por conseguinte, a superficialidade da idealização da vida nas redes sociais dissimula os problemas reais. Isso devido ao fato que, durante o período da Guerra Fria em Berlim, havia a disputa ideológica entre os sistemas capitalista e socialista, estes os quais exibiam ao mundo apenas as vantagens de cada proposta. Contudo, esse enfoque maior na propaganda exterior fez com que houvesse o esquecimento do funcionamento dos modelos de forma efetiva no interior da cidade, onde gerava vários entraves sociais, dentre eles: a fome e o desemprego. Da mesma maneira que, os usuários digitais ao viverem em um mundo fadado à ilusão, esquecem-se de cuidar de sua própria saúde mental, onde se encontram suscetíveis a danos emocionais ainda que, estes são agravados por um universo cada vez mais “perfeito” porém, cada vez menos preocupado com os problemas humanos.
Depreende-se, portanto, a necessidade de prevenir a saúde mental dos indivíduos. Diante disso, cabe ao Ministério da Tecnologia elaborar uma campanha com o tema ‘‘A realidade do mundo digital" publicada por meio das mídias sociais e reforçada pelas instituições escolares através de palestras, reuniões e debates sobre com psicólogos e profissionais na área virtual convidados pela própria instituição, a fim de uma mentalidade saudável frente a uma realidade distante de ser ideal.