A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 05/11/2020
Na obra “Sociedade do espetáculo”, do escritor francês Guy Debord, é retratada uma sociedade perfeita na qual padroniza-se pela necessidade dos indivíduos de fingirem uns para os outros que levam uma vida perfeita e ausente de defeitos. Da mesma maneira, essa concepção do autor se faz presente na nação brasileira atual, uma vez que a busca incessante pelos padrões inalcançáveis de beleza e a indiferença por parte da população intensificam e marginalizam os malefícios à saúde mental gerados pela manipulação de imagem nas redes sociais.
Em primeira análise, deve-se verificar que as manipulações de imagem e o estereótipo de beleza enraizado na sociedade foi criado para comercialização de revistas que, alteravam as fotos das modelos mas levava ao consumidor daquele conteúdo a ideia de que era algo real. Segundo Sartre, o Homem não é responsável unicamente por si, mas por todos. No entanto, a irresponsabilidade da indústria de beleza gerou a crença de que só existe um padrão aceitável, desencadeando essa repetição por influenciadores digitais e, impactando a saúde da população que se espelha nos mesmos, por meio de distúrbios alimentares (bulimia), depressão, anorexia, além dos danos na autoestima dos indivíduos e tornar aqueles distantes desse ideal estereotipado alvos de piadas maldosas e bullying.
Por conseguinte, é imperativo salientar que essas consequências são notórias na saúde física e mental do povo, porém por serem questões de cunho mental, a sociedade é indiferente por ainda haver o julgamento retrógrado de que problemas psicológicos são sinônimos de fraqueza. Na música “Pretty Hurts” da cantora norte-americana Beyoncé, nos trechos “a busca pela perfeição é a doença da nação” e “não se pode consertar o que não se pode ver, pois no final é a alma que precisa de cirurgia” demonstram que essa busca intermitente pela beleza ocasiona dores psíquicas que ao serem banalizadas pela sociedade acabam sendo reprimidas, segregando a parcela de pessoas que precisam de ajuda psicológica. Dessa forma, gerando barreiras que retardam a resolução da questão.
Portanto, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática em solo brasileiro. Desse modo, com o intuito de mitigar os malefícios à saúde mental, necessita-se que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Saúde em parceria com o Ministério da Educação, através de uma disciplina escolar como “saúde e cidadania” a qual promova debates, peças teatrais que abordem a manipulação da imagem, a busca pela perfeição e suas consequências à saúde física e metal, com o intuito de promover uma consciência coletiva. Desse modo, atenuar-se-á em médio e longo prazo os impactos nocivos da manipulação da imagem nas redes sociais, se distanciando do Espetáculo de Debord para alcançar uma realidade mais saudável e feliz.