A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 06/11/2020
Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais dos indivíduos que nela a compõem. Não longe da ficção, percebe-se aspectos semelhantes no que tange à questão da manipulação de imagem nas redes virtuais, visto que essa corrobora para o isolamento social. Desse modo, observa-se que essa problemática reflete um cenário desafiador, não só por causar transtornos psíquicos, como também por influenciar as relações interpessoais.
Em primeira análise, deve-se destacar os malefícios que as redes sociais causam na saúde mental da população. Nesse âmbito, de acordo com o jornal Folha de São Paulo, em 2019, foi constatado que um a cada três jovens sofrem de transtornos compulsivos gerado pelo uso excessivo de mídias sociais. Sob tal ótica, sabe-se que esses aplicativos utilizam de ferramentas que prendem o usuário por horas, por exemplo: os filtros faciais, os quais apresentam uma falsa realidade aos indivíduos. Ademais, esses sistemas levam a um afastamento do convívio social, por motivo de medo, a qual interfere no humor e na autoestima, o que gera casos como depressão, ansiedade e bipolaridade.
Outrossim, vale ressaltar a má convivência social, influenciada pelo nível de aceitação presente nas redes comunicativas. Nessa perspectiva, conforme o psicanalista Sigmund Freud, em sua teoria do superego, as regras sociais não nascem com o indivíduo, mas são passadas pela sociedade como forma de viver corretamente nela. Analogamente, nota-se que a formulação da identidade dos cidadãos brasileiros é instigada pelas mídias, principalmente na geração atual, o que leva muitos a praticar o bullying com aqueles que não se adequam ao padrão exigido, o qual foi evidenciado pela série televisiva Black Mirror. Por conseguinte, essas ações fazem com que diversas pessoas manipulem a imagem nas redes sociais, com o intuito de serem aceitas ao menos na internet, vivendo assim uma crise de existencialismo. Logo, é preciso uma intervenção para que essa inaceitável questão seja modificada.
Portanto, para que haja uma melhoria nesse cenário de manipulação de imagem por filtros, é imprescindível esforço coletivo entre o Estado e as comunidades. Nessa lógica, cabe ao Governo Federal, em parceria com instituições privadas, tais como: PUC, UNIP e UCB, propor uma reeducação sociocultural, mediante a propagação de campanhas educacionais, em jornais, livros, revistas e palestras em escolas, para que atinja um grande contingente de pessoas. Além disso, essas ações devem ter por finalidade a conscientização da população acerca das ficções presentes nas mídias, o que minimizará os dados apresentados pelo jornal Folha de São Paulo.