A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 06/11/2020

No filme “Modo Avião”, Ana é uma influenciadora digital afetada pelo vício no celular e em redes sociais, chegando até a sofrer um acidente de carro por conta do uso excessivo. Fora da ficção, os recursos digitais também podem impactar seriamente a vida dos usuários, de maneira física e, principalmente, mental.  Exemplo disso é o aumento no desenvolvimento de doenças psicológicas e distúrbios alimentares e na busca por cirurgias plásticas influenciados pela frequente manipulação de imagem nas redes sociais.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que, assim como ao longo do tempo a moda foi sendo transformada, com diferentes tendências a cada década, o padrão visual imposto pela sociedade também. Dessa forma, a tecnologia foi e segue sendo uma grande aliada para que se propaguem as novas imposições sociais. Por meio de filtros e programas de edição de fotos, cada vez mais é comum circular na internet imagens irreais de um padrão que, apesar de inalcançável e utópico, é vendido como possível aos consumidores.

Como consequência, conforme cantado por Beyoncé em “Pretty Hurts”, a perfeição se tornou a doença da nação. Na busca incansável por uma aparência dentro do padrão exigido socialmente, homens e mulheres, por projetarem em si metas absurdas e inatingíveis devido o não acordo com as respectivas estruturas corporais, acabam desenvolvendo sérios transtornos psicológicos e distúrbios alimentares. Isso os leva a recorrer a métodos de emagrecimento não saudáveis e até mesmo à cirurgias que põe em risco suas vidas, o que, de acordo com a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), fez o Brasil se tornar o país que mais realiza cirurgias plásticas no mundo.

Tais circunstâncias, portanto, evidenciam a necessidade de discutir sobre os riscos da manipulação de imagem nas redes sociais para o desenvolvimento da sociedade, assim como suas possíveis soluções. Sendo assim, agências publicitárias, junto a grandes mídias como canais de televisão e revistas, responsáveis por propagandas de elevado alcance, devem elaborar campanhas que utilizem modelos com diferentes biotipos e aparências fora do padrão imposto socialmente, a fim de promover a diversidade e a autoaceitação para que homens e mulheres não adoeçam em busca de uma perfeição inexistente.