A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 08/11/2020
Segundo dados disponibilizados pelo site UOL, a partir de 2017, redes sociais passaram a oferecer, em suas plataformas, filtros faciais que introduzem efeitos nas imagens. Entretanto, como as manipulações digitais citadas vão desde animações infantilizadas à simulações de cirurgias plásticas, essa funcionalidade afetou e afeta, negativamente, a saúde mental de parte de seus usuários. Assim, a propagação de novos padrões de beleza e o sentimento de inferioridade, proporcionados pelos filtros virtuais, causam o problema.
Primeiramente, é preciso ressaltar que o padrão de beleza representa um male à problemática. De acordo com Lévi-Strauss, para se entender a atualidade, necessita-se estudar a História. Nesse sentido, no passado, houve diversos padrões de beleza, ou seja, estereótipos físicos considerados perfeitos, como, por exemplo, no Oriente, onde pessoas com pele clara eram a única representação de bonito. Porém, na contemporaneidade, esse costume de padronização continua inserido nas sociedades, através dos efeitos de imagens presentes nos aplicativos. De modo que a maioria dos internautas não se encaixa no nicho de beleza restrito desenvolvido pelas redes sociais, o que aumenta a tendência de problemas de autoestima, já que poucos são realmente como nos filtros.
Em segundo plano, as pessoas se sentirem inferiores em relação à outras, que parecem perfeitas quando vistas pelas redes sociais e seus filtros, também afeta a mentalidade alheia. Conforme a Sociologia, existiram em diversos períodos históricos tipos de superioridade, sendo cada um baseado em um tema diferente, como no Brasil Colônia, quando negros e indígenas eram ínferos, por não se igualarem física e socialmente com os europeus. Nesse viés, a parcela da população, que não têm sua aparência igual à difundida e manipulada por aplicativos, sente-se rebaixada, o que agrava a saúde mental dos usuários de sites que mudam a fisionomia humana virtualmente.
Portanto, uma intervenção faz-se necessária. Diante disso, o Ministério da Saúde, em parceria com grandes empresas voltadas ao mundo digital, promoverá uma campanha virtual sobre como utilizar e lidar com os filtros digitais de forma saudável, por meio de vídeos ao vivo, além de postagens nos próprios aplicativos com a funcionalidade em questão. Tal iniciativa contará ainda com o amparo de influenciadores, que trabalham diariamente em plataformas online, a fim de demonstrar aos usuários de internet que os efeitos faciais não são reais, que aparência não define posição social e que não é uma obrigação fazer partes dos padrões implantados pela sociedade. Desse modo, a frequência de problemas mentais causados pela manipulação de imagem em redes sociais, no Brasil, diminuirá.