A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 08/11/2020

Desde o século XVIII, com a corrente filosófica do Iluminismo, entende-se que o ser humano está em condições de tornar esse mundo um lugar melhor, entretanto, quando se observa a manipulação de imagens nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental, verifica-se que essa é uma ideia constatada na teoria e não desejavelmente na prática. Nesse sentido, a insuficiência constitucional e social corroboram esse impasse e a problemática segue inerente ligada à realidade da sociedade.

Efetivamente, muitas instituições sociais não se comprometem substancialmente com os impactos negativos das manipulações de imagens nas redes sociais, mesmo que esse seja um dever da sociedade. Nesse âmbito, similarmente, José Saramago em sua obra “Ensaio sobre a cegueira”, caracteriza a despreocupação do Poder Público frente aos problemas sociais. Sob essa perspectiva, a manipulação de imagens proporciona obstáculos na democratização das redes confiáveis como a disseminação de notícias falsas à boa parte da população, nutrindo o poder de influenciar pejorativamente a economia, política, cultura e sociedade. Assim, atesta-se a necessidade da mudança de postura das instituições formadoras de opiniões com o intuito de proporcionar às vítimas das imagens manipuladas a tese defendida pela pensadora Simone de Beauvoir de que nada limita um indivíduo.

Paralelo a isso, a incúria social vinculada ao deficit em investimentos na promoção de redes sociais íntegras, inclusivas e de qualidade à todos fomenta a perpetuação do impasse, ainda que esse direito esteja respaldado na constituição de diversos países. Nessa conjuntura, as políticas públicas que auxiliem no repasse de verbas para a diminuição de imagens manipuladas e numa internet segura não são suficientes para atender a demanda mundial, no qual resulta na incapacidade de democratizá-la, principalmente em áreas com carência de informações, prejudicando boa parte da sociedade pela supressão desse direito.

Em síntese, são necessárias medidas que atenuem os impactos negativos da manipulação de imagens nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental. Logo, cabe aos proprietários das maiores redes sociais  em parceria com o Estado ao seguir o “Imperativo categórico” de Kant -no qual assegura que o princípio da ética é agir de forma que essa ação seja uma prática universal- promover  aplicativos acessíveis à sociedade em geral, com o auxílio de profissionais capacitados que compartilhem notícias verdadeiras e denunciem automaticamente imagens manipuladas e tratamento psicológico gratuito às vítimas de imagens manipuladas com o objetivo de proporcionar o bem-estar da população. Dessa forma, os Estados poderão garantir a filosofia iluminista e a síntese kanteana será consolidada.