A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 24/11/2020
“Desde o momento em que nascemos, o mundo tende a ter um recipiente já construído construído para cabermos. Pergunto-me se nos reconheceríamos se pudéssemos nos expandir além dos nossos corpos”. Essa frase foi enunciada pelo artista plástico Paige Bradley e ela retrata muito bem um problema que sempre foi pauta de discussão dentro do que entende-se como sociedade. Contudo, a falta de identidade retratada por Bradley da espaço para uma ditadura da beleza que tem ganhado uma força expressiva nos últimos tempos. Em razão da manipulação de imagens nas redes sociais, a saúde mental dos usuários é amplamente prejudicada. Ademais, também é fato que a cultura de exaltação por um padrão estético acaba por fortalecer o racismo estrutural.
Antes de tudo, é importante entender como a busca por um padrão de beleza vai na contramão da manutenção de uma mente saudável. Uma vez que características físicas são premissa de sociabilidade dentro do contexto discutido, o senso de pertencimento necessário para o bem estar do ser humano não será fomentado. Dessa forma, é estabelecida uma relação direta entre a manipulação de imagens como forma de disseminação de um padrão estético e a toxicidade desse padrão para quem não se sente parte dele.
Além disso, faz-se necessário enxergar também os desdobramentos desse problema tais como o fortalecimento do racismo e a da consequente falta de identidade. Em decorrência do alcance superior de imagens manipuladas para o adequamento à ditadura da beleza, a falta de visibilidade e representatividade na mídia e nas redes sociais não permitem uma identificação do usuário com sua própria raça. Dessa forma, na busca pelo pertencimento à um grupo estético, os internautas decidem abandonar a própria identidade. Ademais, o problema se agrava mais ainda quando se sabe que, no Brasil, têm-se 56% da população constituída por negros segundo o IBGE e o padrão estético exaltados pelos filtros do Instagram valorizam majoritariamente características de pessoas brancas.
Portanto, face o exposto, urge que as grandes empresas protagonizem uma desconstrução do padrão estético através do fornecimento de visibilidade e atenção à pessoas mais diversas. A fim de uma solução mais assertiva, é necessário que as campanhas publicitárias dessas empresas ocorram onde o problema é mais grave, nas redes sociais. Desse modo, o problema da manipulação de imagens é cortado pela raiz uma vez que a readequação à um padrão estético perde o sentido. Mesmo que a longo prazo, somente assim, os filtros passarão a ter um papel exclusivamente lúdico e, nas palavras de Bradley, “seremos autenticamente não contidos”.