A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 10/11/2020

É possível afirmar que a Era Digital, iniciada com o advento da internet, século XX, trouxe consigo diversos aspectos positivos; dentre eles, o encurtamento de distâncias e a facilidade na comunicação. No entanto, na conjuntura atual, o excesso de ferramentas disponíveis à sociedade, como aplicativos de manipulação de imagem nas redes sociais, os quais fomentam malefícios e transtornos à saúde mental, tem ameaçado tais benesses. Esse cenário nefasto ocorre não só em razão das empresas virtuais colocarem o lucro em detrimento à saúde dos usuários, mas também a falta de criticidade do corpo civil.

Em primeira análise, vale ressaltar que a selvageria do capitalismo cibernético, em que cada “click” gera receitas exorbitantes às empresas de aplicativos, é fator determinante para a ampliação da problemática vigente, visto que não é feito uma análise crítica dos possíveis impactos que as inovações on-line trarão à sociedade. Com efeito, a possibilidade de manipular imagens, a fim de se encaixar em padrões ditados pela indústria midiática, impacta gravemente a saúde mental dos indivíduos, uma vez que os filtros de aplicativos fomentam a personificação de fatos irreais e, por consequência, a aceitação da realidade torna-se ofensiva. Essa conjuntura, segundo a Organização Mundial de Saúde, é propulsora no desenvolvimento de depressão e de suicídios entre jovens e adultos, por criar expectativas irreais nos usuários sobre suas próprias vivências.

Além disso, a falta de julgamento crítico do corpo civil acerca das tecnologias que os cercam dificulta a ruptura do quadro patológico vigente. Nessa perspectiva, consoante às ideias do filósofo racionalista Immanuel Kant, o indivíduo deve ter acesso a instrumentos que o faça sair de sua minoridade intelectual e atingir a maioridade, o esclarecimento. Entretanto, um modelo educacional deficitário em estudo de problemas concretos à tecnologia dificulta a ascensão intelectual do cidadão. Dessa maneira, a situação permanece estática e às sombras da elucidação.

Verifica-se, portanto, a necessidade de romper esse quadro patológico de manipulação de imagem. Para isso, faz-se imprescindível que o Poder Executivo, por meio de leis de segurança vigentes, exijam às empresas que ofereça informações sobre eventuais efeitos negativos que o aplicativo trará aos usuários, para que haja a formação de consciência sobre os impactos negativos de tal tecnologia. Assim, o indivíduo terá em mãos a escolha de se submeter ou não à consequência do item. Paralelamente, cabe às escolas, por intermédio de palestras, instruir responsáveis e alunos sobre os impactos da manipulação de imagem on-line, a fim de se atingir a criticidade do corpo social. Dessa maneira, tornar-se-á possível o esclarecimento Kantiano.