A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 10/11/2020
Em um episódio da série televisiva Black Mirror, conta-se a história de Lacie, uma menina que era constantemente julgada por uma sociedade altamente criteriosa, e, ao buscar refúgio através de uma personalidade diferente nas redes sociais, depara-se com um mundo, imagens e vidas ideais não condizentes com sua realidade. Fora a ficção, no mundo, evidencia-se um cenário semelhante quando relacionado á saúde mental. Devido ao fato dessa exposição perfeccionista da rotina dos internautas aliada com a rigidez dos padrões sociais estéticos, cria-se uma sensação de não pertencimento ao grupo social aos demais internautas.
As redes, em sua grande maioria, possuem filtros que aperfeiçoam as imagens, dando um aspecto de “plenitude e perfeição”. Com efeito, essas imagens acabam sendo responsáveis pela imposição dos padrões de beleza irrealistas, que por serem fantasiosos, acabam aumentando a procura por procedimentos estéticos. Por consequência, a frustração de não alcançar o alto padrão de boniteza aumenta o número de pessoas com a saúde mental afetada.
Segundo a pesquisa da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, as cirurgias para procedimentos estéticos rigorosos em adolescentes cresceram 141% nos últimos dez anos. O Brasil fica na liderança em números de jovens que passam por esse tipo de cirurgia devido influência no mundo digital. Nos EUA, 4% dos pacientes são adolescentes, e no ano passado ultrapassou 66 mil cirurgias estéticas, enquanto no Brasil os procedimentos ultrapassaram 90 mil casos.
Torna-se evidente, portanto, que medidas sejam tomadas para reduzir os impactos negativos na saúde mental dos usuários. A mídia (responsável por tudo) em parceria com influenciadores digitais, deve promover uma campanha sobre o uso saudável de aplicativos e filtros, por meio de comerciais televisivos e posts que mostrem a diferença entre as publicações e a vida real, para esclarecer que nem toda foto condiz com a realidade do ser humano.