A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 17/11/2020
A série “Black Mirror” possui um episódio no qual aborda um mundo em que estamos completamente dependentes de um bom status e das mídias sociais, mostrando o vicio da personagem principal em seguir os padrões da sociedade nos quais são altamente criteriosos. Fora da ficção, na realidade brasileira, não é muito diferente, as pessoas apresentam a necessidade de se encaixarem nos padrões de beleza, com isso, vêm gerando um enorme problema de aceitação e autoconfiança. É importante, portanto, avaliar as causas e consequências de tal manipulação das imagens, que se torna um problema recorrente na sociedade brasileira, trazendo maléficos para saúde mental das pessoas.
Em primeira análise, vale ressaltar a valorização do modelo inatingível de beleza em relação ao bem-estar do corpo, dessa maneira destaca-se a espetacularização das imagens de corpos supostamente perfeitos nas redes sociais. Sob esse viés, o sociólogo Guy Debord define a contemporaneidade como “sociedade do espetáculo”, na qual as relações sociais são mediadas por imagens cujos valores são ditados pela sociedade do consumo. Dessa forma, os procedimentos e produtos usados para atingir tal ideal patológico de beleza são amplamente divulgados nas mídias sociais, a fim de influenciar quem vê a aderir esse ideal e consequentemente consumir o que for preciso para atingi-lo. Isso é feito, por exemplo, por meio de postagens, nas redes sociais de pessoas com grande engajamento público, mostrando o antes e o depois do uso do produto.
Em segunda análise, é evidente as consequências da manipulação das imagens, por um desejo de aceitação das pessoas que acaba sendo prejudicial para saúde mental das pessoas, causando ansiedade, frustração e um sentimento de inferiorização, no qual as pessoas irão se comparar com as outras que estão dentro dos padrões de beleza. De acordo com o filósofo Pierre Lévy, estaríamos passando por um processo de universalização da cibercultura, na medida em que estamos dia a dia mais imersos nas novas relações de comunicação e produção de conhecimento que ela nos oferece. Nesse sentido, deve-se levar em conta os malefícios de tal manipulação para combate-la.
Evidencia-se, portanto, a necessidade de prevenir a saúde mental dos indivíduos. Logo, as demais mídias sociais tais quais como Instagram e Snapchat, devem contribuir para o bem estar de seus usuários e os incentivando a não utilizar filtros que mudam a sua estética, tendo um uso saudável dos aplicativos. Diante disso cabe ao Ministério da Saúde juntamente com as escolas, conscientizar as pessoas através de palestras, reuniões e debates com psicólogos para uma atenuação nos distúrbios corporais e de imagem, e não seremos altamente influenciados pelas mídias sociais.