A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 12/11/2020
O desenho infantil “O máskara” conta a história de Stanley, um jornalista que sempre transforma sua personalidade ao colocar uma máscara, motivo pelo qual perde sua própria identidade ao viver a vida de alguém que ele não reconhece. Nesse sentido, a realidade vai ao encontro da animação, uma vez que, na atualidade, as redes sociais e o próprio indivíduo atuam como principais vilões no que tange a disseminação do padrão de beleza, tornando uma sociedade dependente das manipulações da imagem como fuga ao isolamento social. Nesse contexto, questões sociais e emocionais devem ser postas em vigor, a fim de serem compreendidas e combatidas.
Convém ressaltar, em primeiro plano, que o problema advém, em grande parte, das redes sociais. Segundo o filósofo Confúcio, “tudo tem sua beleza. Mas nem todo mundo consegue enxerga-la”. Nesse âmbito, diversas situações colocam os sujeitos como principais agentes da propagação de tal problemática, exemplo disso são os efeitos do instagram, o qual muda a aparência física das pessoas e dissemina a busca por procedimentos estéticos. Diante desse fato, surge um fenômeno chamado Snapchat dymorphia que consegue apresentar um grande número de jovens mulheres, as quais buscam cirurgiões com o intuito de modificar o rosto e parecer como nas fotos com efeitos.
Outrossim, existe um conceito matemático que aplica-se a problemática: um sinal positivo multiplicado ao negativo gera sempre um resultado negativo. Dessa forma, o intuito de levar aos usuários meios de vivenciar outras realidades acabam por se tornar algo excessivo e atingindo uma finalidade contraria e negativa. Nesse cenário, usuários de maioria jovem são levados a adotarem um estereótipo que distorce sua identidade e afligem seu psicológico. Exemplo disso, é a pesquisa realizada pela Royal Society for Public Health- instituição de saúde pública do Reino Unido-, a qual cita que as taxas de depressão entre jovens usuários de redes sociais aumentaram 70% nos últimos 25 anos. Portanto, é de extrema importância a compreensão de que a linha entre o criativo e o problemático é tênue.
Portanto, é mister que órgãos responsáveis tomem providências para amenizar o quadro atual. Desse modo, urge que o Ministério da Educação leve, por meio de verbas governamentais e em parceria com redes sociais, profissionais da área da psicologia para realizar “lives” debatendo sobre a importância da auto aceitação e os malefícios da disseminação de padrões de beleza a fim de que a população consiga usar as redes com total liberdade e fugirem dos procedimentos estéticos. Por outro lado, o Instagram poderia minimizar o uso de efeitos que propagam essa carga negativa. Só assim, a forma de vida do Stanley se distanciaria e deixaria a máscara cair para viver em prol da liberdade e da auto aceitação.