A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 07/12/2020

A filosofia grega é a base cultural da sociedade contemporânea ocidental. Dessa forma, padrões estético do período clássico, por exemplo, enraizaram-se e se agregaram ao pensamento atual. A partir dessa influência, ocorre a manipulação da imagem de acordo com padrões estéticos pré-estabelecidos, principalmente na redes sociais., o que pode provocar malefícios à saúde mental. Isso se deve à necessidade da construção da identidade social, resultando na superficialidade da imagem individual.

Primeiramente, segundo o sociólogo estadunidense George Mead, a formação da identidade social depende da interação do indivíduo com o grupo que o contém. Ou seja, desenvolve-se a modelagem comportamental do “Eu”, a qual objetiva a inserção ao conjunto. De igual modo a esse pensamento, a transformação do sujeito está na manipulação da imagem, especialmente no meio virtual, por meio de efeitos digitais. Essa atitude tem em vista a concretização dos padrões estéticos que a sociedade exige. Como resultado dessa relação entre indivíduo e coletividade, de modo negativo, impulsiona-se a debilidade da saúde mental. Isso se desenvolve, muitas vezes, pela decadência da autoestima, tendo como “gatilho” a formação idealizada do “self”. Esse fator pode desencadear transtornos psicológicos, como anorexia, bulimia e outras doenças relacionadas.

Desse modo, conforme o sociólogo e psicólogo Roland Barthes, tem-se como consequência da mutabilidade da aparência a formação superficial da imagem. Assim sendo, o indivíduo forjado pelos múltiplos filtros das redes sociais não refletem eficazmente sobre o “Eu” e não aprofunda a identidade formada no momento da foto ou vídeo. Dessa forma, promove-se a imaturidade social, além de debilitar o autoconhecimento, o que impulsiona a objetificação do corpo (o sujeito se torna objeto). A partir desse fato, transtornos mentais e doenças ligadas à formação externa do “Eu” se tornam ainda mais evidentes no contexto virtual. A exemplo disto, tem-se a potencialização da depressão e o aumento numérico de procedimentos cirúrgicos estéticos arriscados.

Portanto, medidas devem ser tomadas para impedir  o desenvolvimento de doenças psicológicas pela manipulação de imagem nas redes sociais. Assim, as Instituições de Ensino, agente base para formação humana, devem proporcionar a conscientização do indivíduo. Isso será possível por meio de palestras de educação digital, objetivando o uso saudável das redes de socialização virtual na exposição de imagens. Ademais, a Mídia, instituição unidirecional de propagação de ideias e influenciadora de comportamentos, tem como papel a descentralização dos padrões de beleza pré-estabelecidos no meio virtual. Isso se realizará mediante a pluralização do conteúdo midiático, visando a solidificação da formação do “Eu”, de acordo com Barthes.